Mundo
Ferida aberta do colonialismo. Argélia fecha espaço aéreo com França
A Argélia fechou o seu espaço aéreo aos aviões militares franceses, intensificando a altercação entre os dois países. As Forças Armadas francesas confirmaram que dois voos foram afetados, mas "sem consequências de maior", nas operações na região do Sahel. Argel chamou o embaixador em Paris para consultas, sábado, alegadamente na sequência de comentários do Presidente francês de que "o sistema político-militar" argelino reescreveu a sua história da colonização com base "num ódio à França".
No sábado, o jornal Le Monde publicou uma reportagem de um encontro do Presidente Emanuel Macron com 18 jovens de ascendência argelina no Eliseu para uma livre troca de memórias sobre o conflito e apaziguar “a ferida memorial”.
Sem especificar o comentário que em particular terá motivado a decisão de fazer regressar o representante diplomático em Paris, que classificou de “inaceitável”, um porta-voz do Governo argelino acusou Emmanuel Macron de interferir nos assuntos internos do país.
No entanto, o que terá irritado mais os argelinos foi o facto de Macron questionar se antes da colonização francesa a Argélia já existia enquanto nação.
O anúncio da redução do número de militares, e também de os deslocar para o Niger, foi recebido com críticas em Bamako, que agora está a recrutar mercenários russos para substituir os militares franceses.
O Presidente garante que se trata antes de reestruturar a missão anti-terrorista e que muitos destes soldados vão continuar na África Ocidental. Além de franceses, encontram-se na região militares estónios e dinamarqueses, com o apoio da Alemanha, Suécia, Espanha, Reino Unido, Chéquia e Estados Unidos. Macron já fez saber que pretende ver aumentada a participação de outros países europeus nas operações militares.
Sem especificar o comentário que em particular terá motivado a decisão de fazer regressar o representante diplomático em Paris, que classificou de “inaceitável”, um porta-voz do Governo argelino acusou Emmanuel Macron de interferir nos assuntos internos do país.
O Presidente francês terá dito que que o sistema político-militar argelino "reescreveu totalmente a sua história oficial" da colonização que "não se sustenta em verdades" mas “num discurso que assenta no ódio à França”.
No entanto, o que terá irritado mais os argelinos foi o facto de Macron questionar se antes da colonização francesa a Argélia já existia enquanto nação.
"Entendemos que Macron está em campanha e que deseja obter apoio da extrema-direita por todos os meios, como insultar a história da Argélia... Isso é inaceitável para nós", comentou um antigo ministro argelino, notando que Macron enfrenta eleições presidenciais em abril.
Já na semana passada, Paris anunciou a intenção de reduzir o número de vistos disponíveis para cidadãos dos países do Magrebe, o que deu origem a um protesto formal de Argel.
Perante a justificação de que esta medida seria uma resposta à recusa dos governos norte-africanos de aceitar de volta os imigrantes ilegais reenviados pelas autoridades francesas, a Argélia convocou o embaixador francês para pedir explicações.
A Argélia travou uma guerra feroz durante sete anos para obter a independência de França, que alcançou em 1962. Morreram milhares de pessoas, a maioria argelinos. Muitos dos que ocupam cargos governativos do país são veteranos desta guerra. Com um ambiente político que só estabilizou com a eleição do antigo combatente e recentemente falecido Abdelaziz Bouteflika, a Argélia é agora liderada por Abdelmadjid Tebboune, que já tinha sido membro de um dos governos de Bouteflika.
Quais as consequências desta ação
Neste momento, cinco mil militares franceses estão na região do Sahel, no sul da Argélia, a lutar ao lado de forças regionais contra os grupos islâmicos no Mali e no Niger.
Ao ver que a sua ação militar no Mali não está a ter o pretendido efeito de diminuir a violência, o Governo francês anunciou alterações à Operação Barkhane: deixar as bases no norte do Mali (Kidal, Tombuctu e Tessalit) e reduzir as tropas no Sahel para 2.500 a 3.000 mil homens.
Perante a justificação de que esta medida seria uma resposta à recusa dos governos norte-africanos de aceitar de volta os imigrantes ilegais reenviados pelas autoridades francesas, a Argélia convocou o embaixador francês para pedir explicações.
A Argélia travou uma guerra feroz durante sete anos para obter a independência de França, que alcançou em 1962. Morreram milhares de pessoas, a maioria argelinos. Muitos dos que ocupam cargos governativos do país são veteranos desta guerra. Com um ambiente político que só estabilizou com a eleição do antigo combatente e recentemente falecido Abdelaziz Bouteflika, a Argélia é agora liderada por Abdelmadjid Tebboune, que já tinha sido membro de um dos governos de Bouteflika.
Quais as consequências desta ação
Neste momento, cinco mil militares franceses estão na região do Sahel, no sul da Argélia, a lutar ao lado de forças regionais contra os grupos islâmicos no Mali e no Niger.
Ao ver que a sua ação militar no Mali não está a ter o pretendido efeito de diminuir a violência, o Governo francês anunciou alterações à Operação Barkhane: deixar as bases no norte do Mali (Kidal, Tombuctu e Tessalit) e reduzir as tropas no Sahel para 2.500 a 3.000 mil homens.
O anúncio da redução do número de militares, e também de os deslocar para o Niger, foi recebido com críticas em Bamako, que agora está a recrutar mercenários russos para substituir os militares franceses.
O Presidente garante que se trata antes de reestruturar a missão anti-terrorista e que muitos destes soldados vão continuar na África Ocidental. Além de franceses, encontram-se na região militares estónios e dinamarqueses, com o apoio da Alemanha, Suécia, Espanha, Reino Unido, Chéquia e Estados Unidos. Macron já fez saber que pretende ver aumentada a participação de outros países europeus nas operações militares.
Apesar de os aviões militares franceses poderem contornar o espaço aéreo da Argélia a caminho do Mali e do Sahel, este pode ser um inconveniente para os militares.
Também o contingente de combate aos grupos extremistas islâmicos na região vai ser reforçado com 13 mil soldados da ONU, mas os desentendimentos com a Argélia podem complicar a luta contra a ameaça terrorista.