"Ferido e a sofrer". Família de imigrante venezuelano com bala do ICE alojada no corpo exige que seja operado

"Ferido e a sofrer". Família de imigrante venezuelano com bala do ICE alojada no corpo exige que seja operado

Os documentos judiciais apresentados pelos advogados de Wilber Garcés Pérez indicam que apesar de ferido este foi forçado a dormir no chão de betão de um centro de processamento temporário do ICE.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Melissa Bender via Reuters Connect

A família do imigrante venezuelano Wilber Garcés Pérez, que tem uma bala alojada nas costas há três dias após ser alvejado pela polícia de imigração norte-americana (ICE) em Austin (Texas), exigiu hoje que o jovem seja operado de urgência. 

A mãe do jovem de 28 anos, Flor Pérez, conseguiu falar por telefone com o filho, que relatou que a bala alojada perto da coluna vertebral provocou-lhe imobilidade no lado esquerdo do corpo.

"Está gravemente ferido e a sofrer muito", declarou Flor Pérez à AFP hoje, a partir do estado de Lara (noroeste).

A família teme que o projétil se desloque para algum órgão e apela a que Wilber seja levado do centro de detenção do ICE em que se encontra para um hospital.

O venezuelano continua sob custódia das autoridades federais e, segundo a mãe, até ao momento apenas recebeu analgésicos da equipa de enfermagem local.

Flor Pérez vive com o filho do imigrante venezuelano, um rapaz que sofre de paralisia cerebral e depende do dinheiro que o pai envia do Texas para os seus medicamentos e tratamentos.

Exige uma investigação e sanções contra o agente da polícia de imigração que efetuou o disparo, considerando o ato uma violação flagrante dos direitos humanos.

"Ele ligou-me por vídeo e eu vi-o parado no carro, sentado; contou-me que um veículo vinha a aproximar-se e bateu no carro dele, e depois disse: `Mãe, dispararam sobre mim, dispararam sobre mim`", relatou Flor Pérez.

Garcés Pérez estava a fazer uma entrega através da plataforma DoorDash quando foi baleado durante uma operação policial de trânsito, segundo afirmou.

Os documentos judiciais apresentados pelos advogados de Pérez indicaram que, apesar de ferido, este foi forçado a dormir no chão de betão de um centro de processamento temporário do ICE e que na madrugada de segunda-feira foi transferido para a instalação da remota localidade de Pearsall.

Numa conferência de imprensa organizada pela sua advogada, Pérez relatou por telefone na segunda-feira, a partir do centro de detenção para onde foi transferido, que os médicos não conseguiram extrair-lhe a bala do corpo.

"Sinto muitas dores porque o tiro fraturou-me a clavícula. No hospital, não conseguiram extrair a bala porque está perto da medula espinal. Ainda tenho a bala no corpo", afirmou.

A sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, esclareceu que Pérez foi atingido "na nuca" e "ainda sente muitas dores". Foi levado ao hospital na noite de segunda-feira depois de ter começado a perder a sensibilidade no braço, tendo regressado à custódia do ICE já na madrugada de terça-feira.

Um pedido de providência cautelar apresentado pelos seus advogados dá conta de que também foi submetido a interrogatório sem a presença de representação jurídica.

Em resultado de uma ação judicial que procura impedir a sua deportação, um juiz federal ordenou que Perez compareça em tribunal na próxima semana.

O caso motivou protestos em Austin, incluindo uma manifestação em frente ao Capitólio do Texas na noite de segunda-feira.

O congressista democrata Joaquin Castro juntou-se a outros membros do seu partido para criticar duramente o incidente, no meio de um aumento das operações de fiscalização do ICE ao abrigo das políticas anti-imigração do Presidente Donald Trump.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) tinha informado anteriormente que o seu estado era "estável" e que estava "sob custódia das autoridades federais a aguardar a sua deportação".

O DHS afirmou que o venezuelano se encontrava ilegalmente nos Estados Unidos e tinha uma ordem definitiva de deportação, mas não esclareceu o que motivou o disparo.

A defesa contestou esta versão, afirmando que Garcés Pérez é requerente de asilo, entrou no país através de um programa de autorização de permanência temporária e não tem antecedentes criminais.

O incidente ocorre num contexto de intensificação das operações de fiscalização migratória durante o segundo mandato de Donald Trump, com o ICE a registar mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto.

Pelo menos quatro pessoas morreram este ano na sequência de disparos efetuados por agentes federais durante operações de imigração, segundo os dados citados pelas organizações.

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