Festas no nº10. Primeiras multas chegam ao governo de Boris Johnson

A Polícia Metropolitana britânica vai emitir as primeiras 20 multas como penalização das festas em Downing Street, organizadas durante o período em que estavam em vigor as restrições para conter a pandemia. Em causa estão 12 convívios que envolveram o governo e o próprio primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

RTP /
John Sibley - Reuters

A investigação policial, batizada por Operação Hillman, está a passar a pente fino 12 "reuniões" entre elementos do governo e funcionários do nº10 de Downing Street, para inferir se os regulamentos estabelecidos durante o confinamento, foram quebrados.

O primeiro ministro britânico terá participado de pelo menos em três desses convívios. O jardim de Downing Street foi palco de uma festa a 20 de maio de 2020, um mês depois, o aniversário do primeiro-ministro foi celebrado na Sala do Gabinete. A 13 de novembro de 2020, nova presença de Johnson, numa festa para assinalar a saída de um conselheiro.

O primeiro ministro disse que acreditava não ter infringido nenhuma regra, mas pediu desculpas "pelas coisas que simplesmente não fizemos bem".

De acordo com a BBC, a Polícia Metropolitana prepara-se para emitir as primeiras 20 multas dirigidas a participantes dessas reuniões.

A equipa da Polícia recebeu mais de 300 fotografias e 500 páginas de informação, do inquérito iniciado por Sue Gray, uma destacada funcionária pública, que conduziu investigações para apurar a natureza das "reuniões".

Os mesmos oficiais da Polícia Metropolitana disseram que estavam a entrar em contato com as pessoas "que se acredita terem participado dos eventos em questão para obter os seus testemunhos".

Acrescentaram que dezenas de funcionários, assessores e ministros, incluindo Johnson e o chanceler Rishi Sunak já receberam um novo inquérito.

Num comunicado a 21 de março, os serviços Metropolitanos declaram que "começaram a entrevistar pessoas, como testemunhas", mas ainda não emitiram nenhum aviso de penalidade fixa".

"Até o momento, mais de 100 questionários foram enviados a perguntar aos destinatários sobre sua participação em supostas reuniões", esclareceram.

Boris Johnson diz já ter devolvido o documento respondido e anunciou que tornaria público "se recebesse uma multa".
Regras pandémicas e pressão sobre Johnson
Durante o confinamento geral na primavera de 2020, o governo impôs regras e as respetivas penalizações para quem não cumprisse as restrições para conter a propagação da doença. Por isso, a Policia pretende aplicar a lei, a quem infringiu as regras.

Acrescenta que aqueles que recebem uma multa e a pagarem, não enfrentarão mais nenhuma penalização. Quem decidir contestar a multa, as autoridades podem considerar levar o assunto ao tribunal.

O relatório de Gray e a investigação policial colocaram uma grande pressão sobre a continuidade do governo de Johnson e o executivo britânico estava a tropeçar nas regras para conter a pandemia, que eles próprios tinham estabelecido.

Vários parlamentares conservadores pediram a renúncia de Johnson.

O ministro da Educação, Will Quince, em entrevista no programa Today da Radio 4 afirmou que "os eventos que ocorreram não deveriam ter acontecido" e acrescentou que houve "mudanças consideráveis" em Downing Street desde as revelações dos eventos durante o confinamento.
Salvo pela guerra
Nas últimas semanas, desde que o conflito na Ucrânia começou, diversos opositores de Johnson alteraram o discurso.

Depois de, pelo menos 15% dos deputados em exercício terem retirado a confiança no primeiro-ministro, o líder dos conservadores escoceses, Douglas Ross, mudou a opinião.

Ross veio afirmar que o assunto das festas durante o confinamento "agora parecia trivial em comparação com a invasão da Ucrânia pelo presidente russo, Vladimir Putin", e seria "totalmente inoportuno" mudar de liderança, neste momento.

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