Filha do líder da Coreia do Norte faz primeira visita a mausoléu do regime

A filha do líder da Coreia do Norte fez a primeira visita ao mausoléu onde o avô e o bisavô, ambos ex-líderes, estão sepultados, avançou hoje a imprensa estatal, consolidando a posição como sucessora.

Lusa /
KCNA via REUTERS

De acordo com imagens divulgadas pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA, Kim Ju-ae e o pai, Kim Jong-un, visitaram o Palácio do Sol de Kumsusan, um vasto mausoléu no centro de Pyongyang, acompanhado por altos funcionários.

A Coreia do Norte é governada desde 1948 pela dinastia Kim, também conhecida como `linhagem Paektu`, assim designada em homenagem a uma montanha sagrada considerada o lendário berço do povo coreano e onde, segundo a propaganda norte-coreana, nasceu Kim Jong-il (avô de Kim Ju-ae). Ele próprio sucedeu ao pai, Kim Il-sung, bisavô de Kim Ju-ae.

Os dois homens, apelidados de "líderes eternos" pela propaganda estatal, estão sepultados no Palácio do Sol de Kumsusan.

Kim Ju-ae, cuja idade não foi confirmada, foi vista ao lado do pai em diversas ocasiões desde a primeira aparição pública, em 2022.

Os serviços de informação da vizinha Coreia do Sul acreditam que Kim Ju-ae poderá um dia suceder a Kim Jong-un, marcando a quarta geração a governar a única dinastia comunista do mundo.

Em 2024, os meios de comunicação estatais norte-coreanos referiram-se a Kim Ju-ae com o título altamente honorífico de `hyangdo` ("conselheira sénior" em coreano), um termo geralmente reservado ao líder ou ao sucessor.

Antes de 2022, a única confirmação da existência de Kim Ju-ae veio da antiga estrela de basquetebol Dennis Rodman, que afirmou ter conhecido uma filha de Kim Jong-un chamada Ju-ae durante uma visita à Coreia do Norte, em 2013.

O anúncio da visita ao mausoléu acontece um dia depois da imprensa oficial ter divulgado uma mensagem de Ano Novo às forças armadas, em que Kim Jong-un elogiou as tropas que combatem em "solo estrangeiro" e fez alusão à aliança com a Rússia.

"Enquanto todo o país está imerso numa atmosfera festiva para celebrar o Ano Novo, sinto ainda mais saudades de vocês, que lutam bravamente em campos de batalha em solo estrangeiro, mesmo agora, fiéis à ordem da vossa pátria", disse Kim, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.

"Pyongyang e Moscovo estão convosco", acrescentou.

Segundo os serviços de informação sul-coreanos e ocidentais, Pyongyang enviou milhares de soldados para combater ao lado de Moscovo durante a invasão da Ucrânia, que começou há quase quatro anos.

Em troca, a Rússia envia à Coreia do Norte ajuda financeira, tecnologia militar e fornecimentos de alimentos e energia, de acordo com analistas.

Na sua mensagem, o líder norte-coreano felicitou os soldados por fortalecerem a "amizade e aliança inquebrável" com a Rússia, apelando a que lutem "pelo povo irmão russo".

 

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