Filho de Bolsonaro preconiza ditadura para o Brasil

por RTP
Carlos Bolsonaro (dir.), com o irmão Flávio Adriano Machado, Reuters

Carlos Bolsonaro, filho do presidente do Brasil, afirmou que as mudanças necessárias ao país não podem ser obtidas "por meios democráticos". Um coro de protestos levantou-se contra o rebento da dinastia Bolsonaro, que depois veio a terreiro alegar que fora mal interpretado.

Um tweet de apenas 43 palavras incendiou os ânimos, principalmente por parecer confirmar pensamentos que o próprio presidente em tempos já manifestou e que, acredita-se, continua a ruminar no seu foro íntimo, agora inibido de proclamá-los na praça pública em obediência às aparências que lhe exige a suprema magistratura do país.

Segundo Carlos Bolsonaro, as transformações desejáveis para o Brasil não podem acontecer com a rapidez desejável se se mantiver o regime democrático.

O diário conservador "Estado de São Paulo" insurgiu-se contra o tweet, considerando-o infame e exigiu uma imediata declaração do presidente Jair Bolsonaro desautorizando o filho. O editorial daquele diário acusava mesmo Carlos Bolsonaro de flirtear com a ideia de um golpe de Estado.

Para já, a desautorização de mais peso que surgiu em letra de forma foi a do vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, que pretendeu dissipar a suspeita de que os militares pudessem sentir-se confortados com um discurso favorável à ditadura que eles próprios exercerram durante duas décadas.

Carlos Bolsonaro reagiu acusando os jornalistas de terem semeado o equívoco sobre o sentido verdadeiro das suas palavras e insultando os mesmos jornalistas como "lixo" e "canalhas". O filho de presidente alegou que não quisera preconizar a abolição da democracia, e sim justificar a lentidão de transformações pretendidas pelo Governo.

Tal como na opinião pública, nos órgãos da democracia brasileira registou-se também um sobressalto. O senador Randolfe Rodrigues anunciou que o seu partido (Rede-Sustentabilidade) irá chamar Carlos Bolsonaro a responder em tribunal por incitação contra a democracia que ele, como parlamentar, tem o dever de defender.