Filhos de bin Laden acusam Washington de violar lei internacional

Uma semana depois da morte de Osama bin Laden, os filhos do fundador da al Qaeda quebram o silêncio para acusar os EUA, na pessoa do Presidente Obama, de violação do direito internacional ao ordenar a operação de eliminação do mais procurado terrorista do mundo e inimigo público número um da América. A acusação é assinada por Omar bin Laden, que viveu até aos 18 anos com o pai no Afeganistão e renegaria depois qualquer forma de violência.

RTP /
O filho de bin Laden, Omar, acompanhado da sua mulher DR

A acusação disponibilizada por Jean Sasson* ao The New York Times vem assinada pelo mais conhecido filho de bin Laden, Omar, e lamenta que não tenha sido observado o princípio da presunção de inocência.* Jean Sasson é uma autora norte-americana que ajudou o quarto filho de bin Laden, Omar, a escrever o livro de memórias "Growing Up bin Laden"

Osama bin Laden, criador e líder da rede terrorista al Qaeda (a Base), foi eliminado a tiro por um comando norte-americano na residência onde se mantinha secretamente em Abbottabad, Paquistão, no dia 2 deste mês. A operação teve o OK direto do Presidente Barack Obama. Foram ainda mortos dois seguranças, um filho e uma das mulheres de bin Laden, cujo corpo foi “sepultado” no mar.Bin Laden era procurado insistentemente pelos Estados Unidos desde 2001, quando os ataques do 11 de setembro contra o World Trade Center de Nova Iorque vitimaram mais de 3000 pessoas

Tal qual uma família de proscritos, os bin Laden estiveram oito dias remetidos ao silêncio - como se o lamento da morte do patriarca pudesse ser encarado como um crime.

Pelo contrário, fez notar Jean Sasson ao NYT: pela reação de Omar percebe-se que a morte de bin Laden “afetou a sua família da mesma forma que a morte de um pai afeta muitas outras famílias”.

Agora, os filhos do terrorista mais procurado do mundo acusam os Estados Unidos, concretamente o Presidente Obama, de matar um homem desarmado, alvejar a sua família e livrar-se do corpo no mar, no que consideram ser uma violação clara do direito internacional.

De acordo com o NYT, os filhos questionam por que bin Laden “não foi detido e julgado num tribunal, de forma que a verdade fosse revelada a verdade” e dão os exemplos do antigo líder iraquiano Saddam Hussein e do antigo Presidente sérvio Slobodan Milosevic.

Ao contrário, de Washington terá partido uma ordem de eliminação direta – o que foi já sustentado por fontes americanas -, decisão vista pela família de bin Laden como violação da lei internacional, obliteração dos princípios da presunção de inocência e recusa de um julgamento justo.

Omar bin Laden quer investigação das Nações Unidas
Uma frase resume o princípio do documento: “Consideramos que matar arbitrariamente não é uma solução para os problemas políticos”. A acusação que surge na página online do jornal norte-americano está assinada em nome da família por Omar bin Laden.

É o mesmo Omar bin Laden, agora com 30 anos, que no conhecido livro de memórias de 2009 “Growing Up bin Laden” lamentava a via escolhida pelo pai, discordando da sua visão. Omar bin Laden condenou todas as ações do seu pai e manifestou tristeza pelas vítimas causadas no vários ataques perpetrados pela al Qaida Omar viveu com o pai até aos 18 anos no Afeganistão, depois de este ter sido expulso da Arábia Saudita.

Com autorização de Osama bin Laden, em 1999 abandonaria a casa paterna (mais um quartel-general da al Qaeda) na companhia da mãe e de alguns dos irmãos.

Apesar de ter rejeitado o lugar que o pai lhe reservava na organização terrorista e de condenar as escolhas belicistas do patriarca dos bin Laden (várias mulheres e pelo menos 20 filhos conhecidos até 2001), Omar não esconde os sentimentos de afeto para com o pai.

No mesmo documento, refere o NYT, os filhos do mentor da Base exigem ainda que sejam entregues à família os restantes membros do clã, feitos prisioneiros pelos Seals norte-americanos na operação à casa de Abbottabad: serão três mulheres e vários filhos que se encontram sob custódia das autoridades paquistanesas.

Fica ainda o pedido para que as Nações Unidas abram uma investigação às circunstâncias da morte de Osama bin Laden.
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