"Filio-me ao PT por Lula ser o único capaz de derrotar Bolsonaro" diz Ex-deputado Jean Wyllis
O ex-deputado brasileiro Jean Wyllys afirmou hoje à Lusa que irá filiar-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) para fazer campanha por Lula da Silva, considerando-o o "único capaz de derrotar o Governo fascista de Bolsonaro".
Exilado na Europa há dois após sofrer ameaças de morte no Brasil, Wyllys decidiu agora fazer uma mudança política, deixando o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que integrou por mais de 10 anos, para se juntar ao PT, e, assim, "poder fazer uma campanha livre" a favor do ex-Presidente Lula da Silva para as presidenciais de 2022.
"O que me levou a deixar o PSOL e filiar-me ao PT foi o simples facto de Lula ter os seus direitos políticos devolvidos (...). Ele reacendeu uma chama de esperança no povo brasileiro e passou a figurar como o único candidato capaz de derrotar esse Governo fascista de Bolsonaro. Lula é a única pessoa capaz de derrotar esse fascismo mal disfarçado de democracia", disse Wyllys, em entrevista à agência Lusa.
"Então, para não constranger ninguém do meu partido (PSOL) e poder fazer uma campanha livre a favor de Lula, decidi filiar-me ao PT. Sempre tive uma relação muito republicana com o PT. Sempre critiquei o partido quando merecia críticas (...), mas nunca deixei de reconhecer o que fez de bom para o país", acrescentou.
E a sua filiação ao PT foi celebrada publicamente pelas principais figuras `petistas`, como pelo próprio Lula ou pela presidente nacional do Partido, Gleisi Hoffmann, que comemoraram a admissão de uma figura de peso como Wyllys, considerado um símbolo importante da esquerda brasileira e do ativismo de direitos humanos.
A viver atualmente em Barcelona, Wyllys viu-se obrigado a desistiu do cargo de deputado federal e a deixar o país em 2019 devido a perseguições e ameaças de morte de opositores, além de ser vítima de notícias falsas na Internet.
Questionado se não teme que os ataques se intensifiquem após ingressar no PT, um dos principais alvos de `fake news` no país, Jean Wyllys afirmou que seria "uma covardia não tomar um lado nesta hora" por medo da violência.
"Eu não temo voltar a ser alvo faz `fake news` e desinformação. Seria uma covardia da minha parte não me filiar a um partido, não tomar um lado nesta hora, não enfrentar o `anti-petismo`, não me colocar ao lado de Lula por medo de ataques e ameaças", argumentou.
"Essa violência já me tirou muita coisa, já me expulsou do país, manteve-me longe da minha família, já me tirou praticamente o mandato, (...) mas sobrevivi a todos os seus danos", reforçou.
Contudo, e apesar de querer fazer campanha por Lula, o ex-deputado frisou que um regresso ao Brasil ainda não está definido e que só o fará quando a sua integridade física não estiver mais ameaçada.
Wyllys, um homossexual assumido e uma das principais vozes da luta LGBT (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros), acredita que Lula tem capacidade para construir esse Brasil no qual deseja voltar a viver em segurança.
"Temos de trabalhar para garantir o cenário que as sondagens apontam, de vitória do Lula em 2022. Temos de trabalhar muito para enfrentar o jogo sujo na forma da mentira, de difamação, das `fake news`, não só perpetradas pelos grupos de extrema-direita, por empresários inescrupulosos que financiarão, de novo, mentiras, mas também pela imprensa comercial do Brasil, que sempre foi anti-PT", avaliou.
"Temos de lutar para que Lula vença, porque o Governo de Bolsonaro é genocida. Vem manejando a pandemia de modo a eliminar os mais fracos, não tem qualquer compromisso com princípios democráticos, empreende políticas ambientais predatórias, não preserva a floresta e muito menos os indígenas", acrescentou o ativista.
Porém, apesar de se juntar às fileiras de batalha do PT, Jean Wyllys garante que não tem pretensões de cargos políticos com a sua luta, mas sim a ambição de continuar a ser um "homem livre, um intelectual capaz de fazer uma leitura da cena política que ilumine as pessoas", alguém que não emite opiniões "aos sabores dos interesses de patrões ou corporações".
"No momento, não quero ser candidato a nada, até porque eu não tenho a menor vontade de estar em campanha, não gosto de pedir votos para mim. (...) Isso não quer dizer que se Lula me convidar, por exemplo, eu vá negar, mas também não quer dizer que vá aceitar", sublinhou.
Com uma cerimónia virtual de filiação agendada para o final da tarde de hoje, Wyllys contará com o apoio da eurodeputada do Bloco de Esquerda (BE), Marisa Matias, e diz sentir-se inspirado por várias figuras políticas e culturais portuguesas.
"Além da Marisa Matias, uma mulher e parlamentar admirável, também a Joana e a Mariana Mortágua, o José Soeiro [deputados do BE] são pessoas que admiro na esquerda. Também Boaventura de Sousa Santos, um analista e intelectual que me inspira, Pilar Del Rio, que está à frente da Fundação José Saramago. (...) Acho que essas pessoas me apoiarão e apoiarão, sim, um Governo Lula, porque têm um compromisso com a democracia", concluiu, em declarações à Lusa.