Filipinas assinala hoje um ano sobre passagem do devastador tufão Haiyan

Tacloban, Filipinas, 08 nov (Lusa) -- As Filipinas recordam hoje as milhares de vítimas do forte tufão Haiyan, um ano depois da passagem da tempestade pelo arquipélago que devastou a região central de Visayas, onde ainda prosseguem os trabalhos de reconstrução.

Lusa /

Mais de 6.300 pessoas morreram e mais de 1.000 foram dadas como desaparecidas na sequência da catástrofe que afetou mais de 16 milhões de pessoas, das quais pelo menos quatro milhões deslocados devido ao tufão, conhecido como Yolanda nas Filipinas.

Um ano depois, o processo de reconstrução está em curso e mais de um milhão de filipinos continuam a viver em abrigos provisórios.

Formado no Oceano Pacífico, assolou as ilhas centrais do arquipélago filipino, com os ventos mais fortes alguma vez registados em terra, e ondas gigantes que varreram o litoral, atingindo um corredor de ilhas, onde cerca de 14 milhões de pessoas, ou aproximadamente 15% da população, viviam sobretudo da agricultura e da pesca e que antes da tragédia figurava já como uma das regiões mais pobres.

Numa manifestação de pesar, milhares de pessoas deslocaram-se hoje à zona onde foram enterradas as vítimas sob um intenso sol, onde depositaram flores, acenderam velas e proferiram orações.

Josephine Crisostomo perdeu três filhos, incluindo o mais novo, que cumpria dois anos de idade no domingo. "Sinto tanta falta dos meus filhos, sobretudo de John Dave que celebraria o seu aniversário amanhã", disse Crisostomo, de 41 anos, que participava numa das cerimónias massivas nos arredores de Tacloban, uma das cidades mais devastadas pelo tufão Haiyan.

Usando canetas de feltro, os sobreviventes e familiares escreveram os nomes de centenas de vítimas nas cruzes brancas implantadas no solo num gesto simbólico, uma vez que mais de 2.000 pessoas que ali foram enterradas não foram identificadas.

"Estou à procura do meu irmão, mas o nome dele não está na lista dos que foram aqui enterrados", disse Elena Olendan, de 50 anos, à agência AFP, enquanto circulava na zona com um tamanho equivalente ao de um total de seis campos de basquetebol.

As Filipinas são um país de maioria católica e muitas pessoas das zonas afetadas pelo tufão, mas também um pouco por todo o país, participaram em cerimónias religiosas pela efeméride.

A Conferência Episcopal das Filipinas declarou o dia de hoje como dia nacional de oração. Às 18:00, os sinos das igrejas em todo o país vão tocar para lembrar os que morreram ou foram afetados pelo potente tufão Haiyan.

"Passou um ano desde que o tufão Yolanda abriu um caminho de destruição em Visayas. Muitos dos nossos compatriotas ainda estão a sofrer pela perda dos seus entes queridos, casas e propriedades", disse, na sexta-feira, o vice-presidente das Filipinas, Jejomar Binay.

"Mantenhamos as orações por eles e para assegurar-lhes que não estão sozinhos na sua luta para reconstruir as suas vidas", acrescentou.

Várias organizações não-governamentais que operam na zona alertaram para a precariedade em que vive grande parte da população, já que a comunidade internacional cobriu 60% das necessidades identificadas no país, anualmente atingido por mais de 20 tufões.

O Presidente filipino, Benigno Aquino, disse após uma visita à região que o seu Governo está a fazer tudo o que está a seu alcance para acelerar os trabalhos de reconstrução, os quais contam com um orçamento de 167.800 milhões de pesos (3.000 milhões de euros).

O super tufão Haiyan, de categoria 5 e considerado um dos mais potentes da história, tocou terra com ventos de até 360 quilómetros por hora e provocou uma subida do nível do mar de mais de três metros.

As Nações Unidas estimam que, direta ou indiretamente, tenha afetado 40% da população, a qual viu o tufão destruir as suas casas, os seus meios de sobrevivência (agricultura e pescas) e a arrasar povoações inteiras, deixando um rasto de milhares de mortos.

DM // DM.

Tópicos
PUB