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Fillon esmaga adversários na primária: ainda há esperança para Juppé?
Surpreendentemente, François Fillon venceu com mais de 44 por cento dos votos a primeira volta da primária do centro e da direita. O ex-primeiro-ministro expulsou Nicolas Sarkozy da segunda volta e deixou o até agora favorito Alain Juppé em situação difícil. No próximo domingo, Juppé e Fillon tentam agarrar a cadeira gaulesa mais próxima do Eliseu.
Era o quarto candidato. Ultrapassou Bruno Le Maire nas sondagens há poucas semanas. Desafiou Nicolas Sarkozy e Alain Juppé nos últimos dias. A trajetória de crescimento era evidente, mas o resultado é, ainda assim, inesperado.
François Fillon venceu a primeira volta da primária do centro e da direita com 44,1 por cento dos votos. O ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy não só derrotou o favorito Alain Juppé como conseguiu mais 600 mil votos do que o autarca de Bordéus.
Os números não deixam margem para dúvidas e transformam François Fillon no melhor colocado para ser o candidato do Les Républicains à presidência francesa. Afinal, o liberal-conservador ficou a cerca de 300 mil votos de conseguir a nomeação à primeira volta, numa eleição à qual concorreram sete candidatos.
Uma sondagem divulgada este domingo pela OpinionWay prevê que Fillon vença a segunda volta com 56 por cento dos votos, contra 44 de Alain Juppé.
Fillon conta agora com os apoios de Nicolas Sarkozy e de Bruno Le Maire. Os dois candidatos derrotados na primeira volta conseguiram, juntos, mais de 900 mil votos, número que seria mais do que suficiente para assegurar a vitória de Fillon no próximo domingo.Confrontado com o resultado, Nicolas Sarkozy anunciou que vai abandonar a vida política.
Por sua vez, Alain Juppé conta apenas com o apoio de Nathalie Kosciusko-Morizet, única mulher que entrou na corrida e que arrecadou menos de 100 mil votos na primeira volta.
A transferência de votos entre candidatos não é garantida. Além disso, nada impede que haja uma maior adesão às urnas na próxima semana que favoreça Alain Juppé. Apesar de não haver dados adquiridos, o que é certo é que Juppé parte com grande desvantagem para a última semana de campanha.Ainda há esperança para Juppé?
No discurso de domingo, Alain Juppé não escondeu a surpresa perante o resultado. O autarca de Bordéus anunciou que, apesar da diferença face a Fillon, se mantinha na corrida, mantendo o discurso que tem usado até agora: trabalhar em prol da união dos franceses.
“Quero realizar reformas equitativas das quais todos os franceses beneficiarão. Quero reformas modernas que preparem o futuro em vez de cultivarem a nostalgia do passado”, afirmou.
É com este tom que Alain Juppé procura apoio que dê lugar a uma “nova surpresa” à segunda volta. A porta não está fechada, mas o cenário não é o mais provável.
Para a jornalista de Le Monde Françoise Fressoz, há apenas duas formas de Alain Juppé poder alimentar a esperança de vencer. “Mobilizar um grande número de eleitores de esquerda à segunda volta” e “procurar desmontar o programa do seu adversário”.
Uma eventual vitória de Alain Juppé – que enverga o fato de um candidato mais moderado e ao centro - estaria sempre dependente de uma forte mobilização à esquerda. Os números da Harris indicam que quase metades dos eleitores de Juppé são simpatizantes da esquerda e dos partidos do centro.
Por sua vez, 49 por cento dos que votaram em Fillon são simpatizantes dos republicanos e dez por cento da Frente Nacional.
As propostas dos candidatos
Alain Juppé deverá agora cerrar o ataque às medidas mais radicais de François Fillon, que tinha já iniciado no terceiro debate televisivo. Afinal, o vencedor da primeira volta quer uma Função Pública com menos meio milhão de pessoas e pretende reaproximar-se de Moscovo e de Damasco, defendendo mesmo o fim do embargo comercial.
François Fillon pretende ainda proibir o polémico burkini e impedir o regresso de jihadistas franceses que tenham rumado à Síria. As suas ideias em relação ao Islão foram expostas no livro “Vencer o totalitarismo islâmico”.
O livro é escrito na sequência dos atentados de Nice e permite a Fillon aumentar o leque de temas a que está associado. Até então, o ex-primeiro-ministro encontrava-se muito associado às temáticas económicas. 0 alargamento temático, ao encontro de uma fatia conservadora da população, terá sido fundamental para cativar os votos de quem quis censurar Nicolas Sarkozy.
Thatcher francês?
François Fillon é apontado como um liberal-conservador, sendo mesmo apelidado de Thatcher no que diz respeito à política económica. Já em 2007, o então chefe de Governo afirmava que o Estado francês se encontrava em falência.
Agora que pode chegar ao Eliseu, Fillon pretende reduzir os gastos públicos em 110 mil milhões de euros. O candidato quer que os funcionários públicos passem a trabalhar 39 horas e aumentar a idade de reforma para os 65 anos.
O candidato apresenta medidas de liberalização do mercado de trabalho, querendo acabar com o modelo das 35 horas de trabalho. Fillon quer que a negociação seja feita nas empresas, apresentando apenas como teto máximo aquele que está inscrito na lei comunitária: 48 horas de trabalho semanal.
Por sua vez, Alain Juppé apresenta-se favorável à negociação no seio das apresentas, mas apresenta como referência um modelo de 39 horas de trabalho semanal no setor privado. O autarca de Bordéus quer também aumentar a carga horária no setor público, embora não apresente números. Juppé pretende diminuir os gastos públicos entre 85 mil e 100 mil milhões de euros.
Apesar da oposição da direita ao casamento e à adoção por casais homossexuais, nenhum dos dois candidatos pretende acabar com esta lei socialista. No entanto, Fillon pretende rever as regras da adoção.
François Fillon venceu a primeira volta da primária do centro e da direita com 44,1 por cento dos votos. O ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy não só derrotou o favorito Alain Juppé como conseguiu mais 600 mil votos do que o autarca de Bordéus.
Os números não deixam margem para dúvidas e transformam François Fillon no melhor colocado para ser o candidato do Les Républicains à presidência francesa. Afinal, o liberal-conservador ficou a cerca de 300 mil votos de conseguir a nomeação à primeira volta, numa eleição à qual concorreram sete candidatos.
Uma sondagem divulgada este domingo pela OpinionWay prevê que Fillon vença a segunda volta com 56 por cento dos votos, contra 44 de Alain Juppé.
Fillon conta agora com os apoios de Nicolas Sarkozy e de Bruno Le Maire. Os dois candidatos derrotados na primeira volta conseguiram, juntos, mais de 900 mil votos, número que seria mais do que suficiente para assegurar a vitória de Fillon no próximo domingo.Confrontado com o resultado, Nicolas Sarkozy anunciou que vai abandonar a vida política.
Por sua vez, Alain Juppé conta apenas com o apoio de Nathalie Kosciusko-Morizet, única mulher que entrou na corrida e que arrecadou menos de 100 mil votos na primeira volta.
A transferência de votos entre candidatos não é garantida. Além disso, nada impede que haja uma maior adesão às urnas na próxima semana que favoreça Alain Juppé. Apesar de não haver dados adquiridos, o que é certo é que Juppé parte com grande desvantagem para a última semana de campanha.Ainda há esperança para Juppé?
No discurso de domingo, Alain Juppé não escondeu a surpresa perante o resultado. O autarca de Bordéus anunciou que, apesar da diferença face a Fillon, se mantinha na corrida, mantendo o discurso que tem usado até agora: trabalhar em prol da união dos franceses.
“Quero realizar reformas equitativas das quais todos os franceses beneficiarão. Quero reformas modernas que preparem o futuro em vez de cultivarem a nostalgia do passado”, afirmou.
É com este tom que Alain Juppé procura apoio que dê lugar a uma “nova surpresa” à segunda volta. A porta não está fechada, mas o cenário não é o mais provável.
Para a jornalista de Le Monde Françoise Fressoz, há apenas duas formas de Alain Juppé poder alimentar a esperança de vencer. “Mobilizar um grande número de eleitores de esquerda à segunda volta” e “procurar desmontar o programa do seu adversário”.
Composição dos eleitorados por simpatia política
Primária do Centro e da Direita - Primeira Volta
Primária do Centro e da Direita - Primeira Volta
| Eleitores de Fillon |
Eleitores de Juppé |
Eleitores de Sarkozy |
|
| Esquerda |
6% |
23% |
6% |
| Centro (UDI - Modem) |
12% |
25% |
2% |
| Les Républicains |
49% |
31% |
68% |
| Frente Nacional |
10% |
3% |
14% |
| Sem preferência partidária |
15% |
16% |
8% |
Fonte: Sondagem Harris Interactive
Uma eventual vitória de Alain Juppé – que enverga o fato de um candidato mais moderado e ao centro - estaria sempre dependente de uma forte mobilização à esquerda. Os números da Harris indicam que quase metades dos eleitores de Juppé são simpatizantes da esquerda e dos partidos do centro.
Por sua vez, 49 por cento dos que votaram em Fillon são simpatizantes dos republicanos e dez por cento da Frente Nacional.
As propostas dos candidatos
Alain Juppé deverá agora cerrar o ataque às medidas mais radicais de François Fillon, que tinha já iniciado no terceiro debate televisivo. Afinal, o vencedor da primeira volta quer uma Função Pública com menos meio milhão de pessoas e pretende reaproximar-se de Moscovo e de Damasco, defendendo mesmo o fim do embargo comercial.
François Fillon pretende ainda proibir o polémico burkini e impedir o regresso de jihadistas franceses que tenham rumado à Síria. As suas ideias em relação ao Islão foram expostas no livro “Vencer o totalitarismo islâmico”.
O livro é escrito na sequência dos atentados de Nice e permite a Fillon aumentar o leque de temas a que está associado. Até então, o ex-primeiro-ministro encontrava-se muito associado às temáticas económicas. 0 alargamento temático, ao encontro de uma fatia conservadora da população, terá sido fundamental para cativar os votos de quem quis censurar Nicolas Sarkozy.
Thatcher francês?
François Fillon é apontado como um liberal-conservador, sendo mesmo apelidado de Thatcher no que diz respeito à política económica. Já em 2007, o então chefe de Governo afirmava que o Estado francês se encontrava em falência.
Agora que pode chegar ao Eliseu, Fillon pretende reduzir os gastos públicos em 110 mil milhões de euros. O candidato quer que os funcionários públicos passem a trabalhar 39 horas e aumentar a idade de reforma para os 65 anos.
O candidato apresenta medidas de liberalização do mercado de trabalho, querendo acabar com o modelo das 35 horas de trabalho. Fillon quer que a negociação seja feita nas empresas, apresentando apenas como teto máximo aquele que está inscrito na lei comunitária: 48 horas de trabalho semanal.
Por sua vez, Alain Juppé apresenta-se favorável à negociação no seio das apresentas, mas apresenta como referência um modelo de 39 horas de trabalho semanal no setor privado. O autarca de Bordéus quer também aumentar a carga horária no setor público, embora não apresente números. Juppé pretende diminuir os gastos públicos entre 85 mil e 100 mil milhões de euros.
Apesar da oposição da direita ao casamento e à adoção por casais homossexuais, nenhum dos dois candidatos pretende acabar com esta lei socialista. No entanto, Fillon pretende rever as regras da adoção.