Finlândia quer ter "papel muito ativo" na UE, diz chefe da diplomacia

O atual Governo da Finlândia, que integra um partido eurocético e anti-imigração, quer ter "um papel muito ativo" na União Europeia (UE), disse à Lusa a chefe da diplomacia finlandesa, excluindo um cenário de saída (`Fixit`).

Lusa /

"O nosso programa de governo tem uma ênfase muito forte na pertença da Finlândia à União Europeia, e não apenas isso, mas também um papel muito ativo na mesma. Todos os membros da coligação assinaram-no. Basicamente, é nisso que estamos a trabalhar", afirmou Elina Valtonen, em entrevista à Lusa em Helsínquia.

O executivo, em funções desde junho, é liderado por Petteri Orpo (Partido da Coligação Nacional, conservador liberal), e integra os nacionalistas do Partido dos Finlandeses, o Partido Popular Sueco e os democratas-cristãos.

Em agosto, o presidente do parlamento finlandês, Jussi Halla-aho, ex-líder do Partido dos Finlandeses e autor da visão `Fixit`, reiterou que o país deve ter como objetivo abandonar a UE a longo prazo, mas considerou que a invasão da Ucrânia pela Rússia justifica que a unidade europeia seja a prioridade, por agora.

"Os partidos podem ter os seus próprios planos, mas, tanto quanto sei, o Partido dos Finlandeses não procura ativamente um `Fixit`. Poderá haver alguns deputados que são mais fortemente a favor disso, mas isso nem sequer aparece no seu programa em vigor. Não estou muito preocupada com isso", referiu Elina Valtonen à Lusa.

Quanto às políticas de imigração do novo executivo, a ministra adiantou que a posição quanto a refugiados e requerentes de asilo será restringida, mas as regras vão flexibilizar a entrada de imigrantes.

"Estamos a flexibilizar os critérios para vir trabalhar para cá, por isso, no futuro, será mais fácil vir para cá e também vamos reduzir a burocracia", mencionou.

Já quanto aos refugiados, Helsínquia vai alinhar posições com a Suécia ou Dinamarca: "A quota de refugiados será um pouco reduzida e depois haverá mais ações em matéria de regresso ou mais ênfase na política ativa de regresso dos imigrantes ilegais", exemplificou.

Elina Valtonen sustentou que a Finlândia precisa de imigrantes para trabalhar e perante a tendência de envelhecimento da população.

"A minha opinião pessoal é de que onde as pessoas nascem ou qual é a sua nacionalidade, isso é apenas uma parte de nós, é apenas uma característica, não nos deve definir ao longo da nossa vida. Penso que deve haver uma sociedade e um sítio onde as pessoas queiram vir trabalhar, constituir família, fundar uma empresa. Por isso, estou muito aberta à vinda de pessoas de outros países, mesmo que seja apenas por alguns anos, mas também para ficarem permanentemente", sublinhou.

Questionada sobre o eventual crescimento de partidos nacionalistas e eurocéticos nas próximas eleições europeias, em junho, a chefe da diplomacia finlandesa salientou que "há diferenças" entre os partidos populistas dos vários países.

"Mesmo que tenham muito bons resultados nas próximas eleições europeias, é difícil que venham a ter uma posição comum e grande", considerou.

Caso estes partidos aumentem a sua representação no Parlamento Europeu, apontou, isso "faz parte da democracia".

"Se as pessoas votam desta forma, o que podemos fazer? Só precisamos de confiar nas nossas instituições", sustentou.

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