Fisher assume responsabilidade escândalo dos vistos, mas contra-ataca

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Joschka Fisher, reconheceu hoje a sua responsabilidade política no chamado escândalo dos vistos, mas acusou a oposição de ter apoiado uma maior permissividade na hora de conceder vistos no leste da Europa.

Agência LUSA /

"Tenho a responsabilidade política das possíveis omissões ou dos erros cometidos pelos meus colaboradores", disse Fisher à entrada para uma reunião do seu partido "Os Verdes".

Fisher rompeu assim o silêncio das últimas semanas, em que a oposição democrata-cristã e liberal o pressionara a pronunciar-se a respeito do desvio de vistos para tráfico de seres humanos.

A oposição conservadora acusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao flexibilizar os critérios de atribuição de vistos turísticos para a Alemanha, de ter permitido entre 2000 e 2003 a entrada na União Europeia, no seio do Espaço Schengen, de "centenas de milhar" de clandestinos da Europa oriental, nomeadamente da Ucrânia, com vistos de turistas.

Esta política resulta da "directiva Volmer" de 1999, do nome do antigo secretário de Estado Ludgero Volmer, membro do Partido dos Verdes, como Joschka Fisher.

Volmer demitiu-se sexta-feira do seu cargo de porta-voz de política externa no seio do grupo parlamentar dos Verdes.

Mas Joschka Fisher defendeu vivamente o trabalho do seu Ministério afirmando: "Não é verdade que o tráfico de seres humanos" e que "a questão da prostituição forçada" tenham começado com o governo social-democrata/Verdes no poder desde 1998 e reconduzido em 2002.

Segundo Fisher, a deriva começou em 1997-98, sob o governo conservador de Helmut Kohl, com a criação de um novo tipo de passaporte, atribuído de forma mais liberal.

O ministro assumiu também a defesa da directiva, assegurando que ela teve por objectivo facilitar os processos de reunião familiar e contribuir para a economia e a investigação científica, com falta de quadros de alto nível.

O chanceler Gerhard Schroeder assegurou, por seu lado, que Joschka Fisher tinha "o apoio de todo o governo".

Mas a dirigente da oposição conservadora, Angela Merkel, acusou directamente o ministro neste caso para o qual defendeu uma comissão de inquérito parlamentar.

"O senhor Fisher manifestamente fechou os olhos a um afluxo maciço de vistos a prostitutas forçadas, aos trabalhadores ilegais e aos criminosos", disse Merkel à imprensa dominical.

"Isso pôs em perigo a nossa segurança interna e abriu caminho a situações que podem atentar contra a dignidade humana", acrescentou.

Na sequência deste intervenção, vários conservadores e liberais exigiram a demissão do ministro, também vice-chanceler, afirmando que o Ministério do Interior tinha alertado os Negócios Estrangeiros para o risco que a directiva podia significar.

Os conservadores atacam sistematicamente Joschka Fisher, 56 anos, que representa mais que nenhum outro a geração de 1968.

O diário conservador Bild partiu também para o ataque, afirmando que, com esta directiva, terroristas islamitas tinham conseguido obter visto sem qualquer problema.

Dois tchetchenos suspeitos de terem participado no tomada de reféns num teatro de Moscovo em Outubro de 2002 terão assim obtido várias vezes vistos de entrada na Alemanha, a última vez em 2002, segundo o jornal.

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