Flávio Bolsonaro promete conceder amnistia ao pai e diz que julgamento foi farsa
Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição nas presidenciais brasileiras de outubro, classificou o julgamento do pai por tentativa de golpe de Estado como uma "grande farsa" e afirmou que, se for eleito, lhe concederá amnistia.
"Tudo isto foi uma grande farsa orquestrada para tirar Jair Bolsonaro da vida pública", declarou, na sexta-feira, o candidato do Partido Liberal, de extrema-direita, em entrevista à Rede Globo, quando questionado se, caso vença as eleições, respeitará a democracia.
O ex-chefe de Estado Jair Bolsonaro (2019-2022) foi condenado em setembro a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por liderar uma tentativa de golpe contra o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que o derrotou nas eleições de 2022.
Segundo o filho, o líder da extrema-direita brasileira foi "julgado pelos seus inimigos", e por isso todos sabiam que seria condenado mesmo antes do final do julgamento.
O agora candidato afirmou que o ex-Presidente foi condenado por crimes como destruição de propriedade pública, embora a 08 de janeiro de 2023, quando milhares de apoiantes de Jair Bolsonaro atacaram a sede dos três poderes, o pai estivesse nos Estados Unidos, "a milhares de quilómetros de Brasília".
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que os manifestantes que participaram nos ataques foram condenados por formação de quadrilha, mesmo sem se conhecerem e sem que tivesse sido apreendida qualquer arma entre eles.
"Claramente, tudo não passou de uma farsa orquestrada por juízes declarados inimigos de [Jair] Bolsonaro. Os juízes que o condenaram foram nomeados para o Supremo Tribunal Federal por Lula. Não foi um julgamento justo", declarou o senador.
Flávio Bolsonaro acrescentou que, com o STF a agir politicamente, considera-se o único entre os atuais candidatos à presidência capaz de restaurar a segurança jurídica no Brasil e de obrigar os juízes do Supremo a defender a Constituição.
"A perseguição continua hoje. Até os jornalistas estão a ser alvo, e o sigilo das suas fontes não está a ser respeitado", afirmou o candidato, citando uma recente decisão do Supremo que procurava identificar a fonte de uma reportagem sobre alegados abusos cometidos por um juiz.
Flávio Bolsonaro declarou ainda que, para reparar tudo o que aconteceu, vai promover uma amnistia em benefício de Jair Bolsonaro e dos condenados por tentativa de golpe de Estado.
O senador, apontado pelas sondagens como o principal rival de Lula nas eleições presidenciais e que, em algumas sondagens, surge tecnicamente empatado com o líder progressista numa eventual segunda volta, negou ter feito qualquer ataque contra o sistema eleitoral brasileiro ou as urnas eletrónicas.
Bolsonaro afirmou ainda que nunca questionou as urnas eletrónicas brasileiras e admitiu que estava errado ao afirmar que eram fabricadas por uma empresa venezuelana.
"Nunca questionei o processo eleitoral. Respeitarei o processo e as regras. Estou a concorrer dentro dessas regras e aceitarei o resultado", disse o candidato.
Quando questionado se aceitaria o resultado em caso de derrota, o senador afastou essa possibilidade e afirmou que venceria a eleição sem necessidade de uma segunda volta.