Flávio Bolsonaro recupera filiação partidária após fraude e pode registar candidatura

Flávio Bolsonaro recupera filiação partidária após fraude e pode registar candidatura

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil restabeleceu hoje a filiação de Flávio Bolsonaro no Partido Liberal (PL), após uma fraude de filiação noutro grupo político ter impedido o registo da sua candidatura presidencial.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Rodolfo Buhrer - Reuters

Na decisão, consultada pela Lusa, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também determinou a exclusão do vínculo do senador ao partido Missão.

O registo da candidatura pelo PL de Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, nas eleições gerais de outubro, foi anteriormente impedido por o candidato aparecer filiado no Missão.

O prazo para registo de candidaturas termina no próximo sábado, e o PL pediu na Justiça Eleitoral a desfiliação de Flávio Bolsonaro no Missão, o que foi acatado pelo presidente do TSE.

A fraude está a ser investigada pelo TSE brasileiro, que rebateu as acusações do PL de ter havido um ataque informático nos sistemas da Justiça Eleitoral.

Em comunicado, o TSE informou que a filiação de Flávio "não foi fruto de `hackeamento` do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais" do partido Missão para efetivar filiações.

Flávio Bolsonaro reagiu à decisão com um vídeo nas redes sociais: "O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir, porque Deus está no comando", disse, adiantando que foi vítima de uma filiação fraudulenta.

Os dados da Justiça Eleitoral mostram que Bolsonaro foi filiado no Missão na quarta-feira, o que automaticamente cancelou a sua filiação ao PL na mesma data.

No arquivo de filiação consta um endereço falso com ofensas ao candidato ao Palácio do Planalto: «Rua Dos Bandidos, n° 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ".

O partido Missão, por sua vez, do candidato presidencial Renan Santos, afirmou que "foi vítima de uma filiação fraudulenta" e que informou a 02 de agosto o PL sobre ocorrido, mas que não obteve resposta do grupo de Flávio Bolsonaro.

"Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos", informa o Missão.

"Não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção", conclui.

Renan Santos, por sua vez, escreveu nas redes sociais que o Missão tem como comprovar que o acesso à aplicação de militância foi feito por alguém a partir do e-mail de Bolsonaro.

O PL oficializou o apoio a Flávio Bolsonaro em 25 de julho, durante a convenção do partido, e faltava apenas registar oficialmente o político no TSE.

Um caso similar de fraude de filiação ocorreu em 2023, quando o Presidente Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, foi filiado no PL, de Jair Bolsonaro, por uma adolescente, segundo revelou a Polícia Federal.

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