Flávio encerra agenda no Nordeste para tentar diminuir diferença de votos com Lula
Citação a Elon Musk, corrente de oração do Pai-Nosso seguida por festa que mais lembra Carnaval marcaram a última agenda do candidato presidencial Flávio Bolsonaro no Nordeste do Brasil, onde tenta diminuir a diferença face a Lula da Silva.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro realizou um comício em Fortaleza, no Ceará, na noite de quarta-feira, onde voltou defender o legado do pai e a dizer que irá aposentar, no próximo domingo, o seu principal adversário do Partido Trabalhista (PT).
O Nordeste brasileiro é onde Lula é mais popular que Flávio. Só no Ceará, na primeira volta das eleições, o líder de esquerda teve 63,29% dos votos válidos, enquanto Flávio teve 31,27%.
No entanto, em Fortaleza, a diferença foi menor. O petista teve 53,48% (797.002 votos válidos) e Flávio 39,34% (586.251 votos válidos), o que é explicado pela ascensão de nomes ligados ao bolsonarismo na cidade.
Perante uma multidão, Flávio afirmou que "faltam só quatro dias" para "tirar o Brasil do cativeiro" e "libertar o país da era do Lula", acrescentando que "acabou para ele, acabou o PT, vai perder".
Os apoiantes responderam com gritos de "Ladrão! Lula, ladrão, seu lugar é na prisão!", enquanto o candidato prometeu que, no domingo, irá "aposentar o Lula".
Bolsonaro também procurou rebater críticas sobre as suas propostas, classificando como notícias falsas afirmações de que acabaria com o Bolsa Família, com as pensões ou com direitos dos homossexuais.
"Eu quero falar para os gays que estão aqui hoje: vocês são sempre muito bem-vindos, porque vocês fazem parte do nosso Brasil", afirmou, acrescentando que "ninguém tem o direito de se meter na forma como você quer ser feliz".
"E comigo, vocês, homossexuais, LGBT, vão prosperar como todo cidadão brasileiro", declarou o candidato, que prometeu ainda "melhorar a vida" dos brasileiros.
Na área da segurança, Flávio voltou a reafirmar que criminosos sejam "presos ou neutralizados pela polícia" e que menores de idade que cometam crimes respondam "como adulto".
O candidato também defendeu a castração química para violadores e pedófilos.
Ao abordar a educação e as oportunidades para os jovens, Flávio citou o empresário Elon Musk e a antiga ginasta brasileira Daiane dos Santos como referências que os jovens deveriam ter.
"A referência tem que ser sonhar em ser um Elon Musk, em ser uma Daiane dos Santos, e não o dono da boca de fumo da favela onde você mora", afirmou.
Flávio prometeu ainda devolver o "poder de compra" aos brasileiros e afirmou que haverá "dinheiro no bolso" da população, além de defender educação de qualidade e um país com futuro.
No discurso, o candidato voltou a exaltar o pai, a quem chamou de "o melhor presidente que esse país já viu vivo", enquanto os apoiantes responderam com gritos de "Mito".
Jair Bolsonaro está impedido de dar entrevistas e falar publicamente, mas, defendeu o candidato, "ajudou a eleger o Congresso mais à direita que esse Brasil já viu".
Ao dizer que o pai ficaria orgulhoso ao assistir às imagens do ato, Flávio perguntou quem tinha saudades de Jair Bolsonaro, recebendo como resposta do público gritos de "Volta, Bolsonaro!".
Na final do discurso, o candidato perguntou quem acreditava que no domingo um Bolsonaro seria novamente eleito presidente da República.
Depois, pediu aos apoiantes que acendessem as lanternas dos telemóveis para uma oração do Pai-Nosso, afirmando que Jair Bolsonaro havia pedido que a oração fosse feita durante o ato.
"Eu não vou fazer, é vocês que vão gritar bem alto como nunca na vida de vocês", disse, antes de convocar a multidão para a oração.
O Bloco do 22 é uma mistura de músicas políticas -- a exaltar o bolsonarismo e criticar a esquerda, o PT e Lula - em ritmos que embalam o Carnaval brasileiro como axé, funk e explora também outros géneros.
Em Fortaleza, o público parecia folião de carnaval a seguir o bloco a cantar, pular e a dançar as músicas sem restrição de idade: de bebés de colo, passando por crianças, adultos e idosos.
A animação também foi acompanhada de dezenas de "paredões de som" espalhados pela avenida. Esse sistema de som de grande porte, típico no Brasil, é composto de altifalantes luminosos montados em carrinhas de caixa aberta.
Uma das músicas que mais animava o público era o funk cujo refrão "quem ficar parado é petista disfarçado" foi repetido incontáveis vezes e dançado por Flávio e os seus aliados políticos no trio elétrico.
Nem mesmo algumas pilhas de lixo e entulho na calçada, e até esgoto ao ar livre desanimou o público a prosseguir a avenida atrás de Flávio.
Quem estivesse com fome, sede ou vontade de beber cerveja encontrava produtos facilmente nas barracas e caixas dos vendedores ambulantes, o que fez a avenida larga ao lado da Arena Castelão, famoso estádio de futebol, parecer ainda mais um Carnaval verde amarelo.
Ambulantes vendiam camisolas falsificadas da seleção brasileira a 20 e 30 reais (cerca de 5,31 euros), além de camisas com estampas do Bloco do 22, do rosto do Flávio e da bandeira do Brasil.
O público espremia-se como podia para acompanhar o trio elétrico. Uma mulher subiu numa retroescavadora e levantou as bandeiras de Israel e da comunidade LGBT. Lá do alto posou para as incontáveis pessoas que registaram a cena nos telemóveis.