Foguetão Soyuz partiu da Guiana Francesa com satélites Galileo a bordo

O novo foguetão russo Soyuz-2 descolou hoje da Guiana Francesa, pela primeira vez na sua história, transportando a bordo os dois primeiros satélites Galileo, projeto europeu concorrente do GPS norte-americano.

Graça Andrade Ramos, RTP /

Esta missão do Soyuz deverá demorar três horas e 50 minutos, de acordo com a agência noticiosa francesa AFP.

O lançamento estava previsto para dia 20 mas foi atrasado 24 horas devido a uma válvula defeituosa no foguetão.

Além de Kourou, o lançamento da Soyuz-2 com os dois satélites a bordo, será monitorizado pelas estações da ESA em Santa Maria (Açores), Toulouse (França) e Perth (Austrália).  

Cooperação russo-europeia
O lançamento de hoje marca ainda uma nova fase na história da exploração espacial.

Pela primeira vez, um foguetão russo é lançado a partir do Centro Espacial europeu de Kourou na Guiana Francesa. Até agora, em mais de 50 anos de actividade incluindo mais de 1700 lançamentos, os foguetões Soyuz sempre foram lançados dos Cosmódromos russos de Baikonur, no Cazaquistão, ou de Plesetsk, na Russia.

Para este lançamento foi necessário construir em Kourou uma nova infraestrutura de lançamento de foguetões, adaptada especificamente aos modelos Soyuz e que irá servir tanto russos como europeus. É semelhante às usadas em Baikonur e Plesetsk, mas em conformidade com as normas europeias de segurança.

A grande diferença operacional da nova infraestrutura é uma torre de grua móvel com 45 metros de altura, para proteger satélites e foguetão do clima húmido tropical. Permitirá ainda acesso ao Soyuz-2 a vários níveis, para verificações de segurança e actividades de preparação.

Toda a infraestrutura fica 13 quilómetros a noroeste da plataforma de lançamento dos foguetões Ariane e é composta de três zonas: o centro de controlo do lançamento, a área de integração (MIK), onde as diversas partes do Soyuz-2 são montadas e a plataforma de lançamento.

Desta plataforma será lançado o mais recente modelo do Soyuz, o Soyuz-2, capaz de transportar um máximo de três toneladas até órbitas geoestacionárias. Os modelos anteriores estavam limitados a um máximo de 1.7 toneladas.

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