Fome e medo dominam sobreviventes de terramoto na Indonésia

Fome e medo dominam sobreviventes de terramoto na Indonésia

Dois dias depois do pior tremor de terra no país desde 2022, a ajuda humanitária é apenas um conjunto de letras. "Onde está a ajuda?" - é a frase que todos repetem. À medida que os deslizamentos de terra cortam as estradas estão a escassear bens essenciais como por exemplo água potável, comida e medicamentos em várias partes da Ilha de Flores.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Recém-nascido recebe tratamento com fototerapia numa tenda improvisada. Foto: Edgar Su - Reuters

Esta situação faz crescer as preocupações sobre por quanto tempo mais os sobreviventes vão conseguir aguentar.

Os deslocados estão a dormir ao ar livre e enfrentam dias escaldantes e noites gélidas, com receio de que mais edifícios possam desabar.As tendas montadas entre os escombros dos hospitais destruídos estão a servir de salas de emergência improvisadas para os feridos.

É de uma das aldeias que esteve isolada quase dois dias que chega o relato de centenas de feridos que dependem do trabalho de uma médica.
 
“Sou a única médica aqui, com centenas de vítimas. Não consigo, de forma alguma, dar conta da situação”, lê-se num apelo urgente, citado pela BBC. “Não tive um momento de descanso porque continuam a chegar vítimas a qualquer hora do dia e da noite”.

 
Foto: Reuters

Quanto aos sobreviventes cujas casas ficaram danificadas ou destruídas estão a procurar terrenos mais elevados, à medida que centenas de réplicas continuam a abalar a ilha.As equipas de busca e salvamento e dezenas de voluntários, incluindo pessoal médico, tentam para chegar o mais longe possível abrindo caminho por estradas danificadas por deslizamentos de terra ou bloqueadas por pedras.

No domingo à noite, as equipas de socorro conseguiram chegar a outra aldeia que tinha ficado isolada durante quase dois dias inteiros após o terramoto inicial.

“Esta é provavelmente a aldeia deste distrito que sofreu os piores danos causados pelo sismo”, admite o vice-comissário-chefe da Polícia de Sikka que liderou a missão de resgate na aldeia de Nitung. Os serviços de saúde em toda a ilha foram obrigados a deslocar-se para o exterior e a montar tendas de emergência devido aos danos nas instalações.

 

Um dos médicos do Centro de Saúde de Lalang adiantou à BBC na segunda-feira que equipas de hospitais regionais estão finalmente a tratar doentes gravemente feridos com os recursos que conseguem reunir.

“Se o estado de um doente for crítico essa pessoa é encaminhada para o hospital de Ruteng, que fica a cerca de quatro horas de distância”, afirmou. No entanto, também este hospital de Ruteng precisa urgentemente de ajuda. A sala de operações, a sala de partos, a farmácia e o laboratório do Hospital ficaram inoperacionais após o colapso do telhado do edifício.

Num outro ponto da ilha, na cidade que é porta de entrada para o Parque Nacional de Komodo (um dos destinos turísticos mais populares da Indonésia), “há uma grande procura por muitos bens de primeira necessidade, como [alimentos básicos] e água potável”, descreve à BBC o editor-chefe de um jornal local.“As pessoas não fazem ideia para onde devem evacuar. Não houve qualquer orientação do governo. Muitos fugiram para as colinas e estão a passar fome”, assegura Herry Kabut.

As equipas de busca e resgate continuam a trabalhar para determinar o número de vítimas, mas a verdadeira dimensão da catástrofe ainda está por apurar.

Dados provisórios da Agência Nacional de Gestão de Catástrofes da Indonésia indicam que mais de mil casas ficaram danificadas pelo sismo, tal como dezenas de unidades de saúde, escolas e repartições públicas.

Pelo menos 68 pessoas morreram e cerca de cinco mil foram deslocadas devido ao terramoto, que ocorreu pouco antes das 6h00 de sábado (23h00 GMT de sexta-feira), a uma profundidade de 15 quilómetros.

Trata-se do terramoto mais mortífero na Indonésia desde 2022, quando centenas de pessoas perderam a vida em Java Ocidental.

A Indonésia encontra-se no ponto de encontro de três grandes placas tectónicas.

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