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"Fora Hamas". Centenas de palestinianos saem às ruas em raro protesto no norte da Faixa de Gaza

"Fora Hamas". Centenas de palestinianos saem às ruas em raro protesto no norte da Faixa de Gaza

Centenas de palestinianos participaram, na terça-feira, naquele que está a ser considerado o maior protesto contra o Hamas desde o início do conflito com Israel. Numa rara demonstração pública de oposição, os palestinianos exigiram que o movimento radical deixe o poder em Gaza para que possa ser possível restaurar o cessar-fogo.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Louisa Gouliamaki - Reuters

"Fora Hamas", "Hamas terrorista", gritavam as centenas de manifestantes que saíram à rua, na terça-feira, em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, uma das zonas mais devastadas da guerra.

Militantes do Hamas, alguns armados com armas de fogo e outros envergando cassetetes, intercederam e dispersaram os manifestantes à força, agredindo vários deles.

Os protestos ocorreram um dia depois de homens armados da Jihad Islâmica terem lançado rockets contra Israel, levando Telavive a decidir evacuar grandes áreas de Beit Lahia, o que gerou revolta pública.
Telejornal, 26 de março de 2025

O exército israelita retomou os bombardeamentos na Faixa de Gaza a 18 de março, quebrando o cessar-fogo que durou cerca de dois meses. Israel exige a entrega dos restantes reféns detidos pelo Hamas e a saída do grupo militar palestiniano do poder. O Hamas, por sua vez, acusa Israel de ter violado o acordo de cessar-fogo.

"Se a saída do Hamas do poder em Gaza é a solução, então porque é que o Hamas não deixa o poder para proteger o povo?", questionou um dos manifestantes citado pela AFP, afirmando que “as pessoas estão cansadas”.

"Nós recusamo-nos a morrer por qualquer pessoa, pela agenda de qualquer partido ou pelos interesses de estados estrangeiros", disse outro manifestante. "O Hamas deve renunciar e ouvir a voz dos enlutados, a voz que surge de baixo dos escombros - é a voz mais verdadeira”, apelou.

Munther al-Hayek, porta-voz do Fatah (a maior fação da Organização para a Libertação da Palestina ), também pediu ao Hamas que renuncie ao poder, argumentando que o seu domínio no enclave ameaça a causa palestiniana.

Al-Hayek pediu ao grupo militar que atendesse às exigências do povo e renunciasse pelo bem público, alertando que caso contrário, “a batalha que se avizinha levará ao fim da existência dos palestinianos” em Gaza.

O Hamas assumiu o controlo de Gaza em 2007, em eleições que derrotaram o grupo Fatah do presidente palestiniano Mahmoud Abbas. O grupo armado tem governado o enclave desde então, oferecendo pouco espaço para a oposição.
Pelo menos 12 mortos esta quarta-feira
O exército israelita continua a sua ofensiva em Gaza, depois de ter quebrado o cessar-fogo a 18 de março.

Desde as primeiras horas desta quarta-feira, pelo menos 12 pessoas foram mortas nos bombardeamentos israelitas em Gaza, incluindo uma mãe e o seu bebé de seis meses e outras quatro crianças. Desde que Israel retomou os ataques em Gaza, mais de 700 palestinianos, a maioria mulheres e crianças, foram mortos, segundo as autoridades de saúde palestinianas.

Israel mantém a pressão militar, exigindo a entrega dos reféns que ainda estão na posse do Hamas para suspender os ataques em Gaza. Dos 251 reféns feitos no ataque de 7 de outubro de 2023, 58 ainda estão detidos na Faixa de Gaza, 34 dos quais estão mortos, segundo o exército israelita.

Um cessar-fogo em Gaza entrou em vigor a 19 de janeiro, após um acordo ter sido alcançado pelos países mediadores. Mas depois de semanas de desentendimentos, Israel quebrou o cessar-fogo dois meses depois, com bombardeamentos maciços seguidos de operações terrestres.

Israel e o Hamas estão num impasse, não chegando a um entendimento sobre como prosseguir o acordo de tréguas – cuja primeira fase expirou a 1 de março.

O Hamas quer passar à segunda fase do acordo, que prevê um cessar-fogo permanente, a retirada das tropas israelitas de Gaza, a retoma do envio de ajuda humanitária e a libertação dos restantes reféns.

Israel, por seu turno, quer que a primeira fase seja prolongada até meados de abril para que mais reféns sejam libertados e exige a "desmilitarização" de Gaza e a saída do Hamas antes de passar à segunda fase. O Hamas não aceitou a proposta e insiste que seja cumprido o acordo inicial.

c/ agências
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