Forças norte-americanas apreendem navio no golfo de Omã
As forças norte-americanas anunciaram na quinta-feira a apreensão de um navio no golfo de Omã, após Washington ter restabelecido no início da semana o bloqueio aos portos iranianos.
O Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) divulgou na rede social X que as forças norte-americanas realizaram "verificações a bordo do M/T Wen Yao no golfo de Omã", publicando também uma série de fotos que ilustram a operação militar.
"Até ao momento, as forças norte-americanas redirecionaram três embarcações comerciais que tentavam romper o bloqueio, neutralizaram uma que não cumpriu as regras e apreenderam outra para garantir o cumprimento integral" do bloqueio aos portos iranianos, que foi restabelecido na terça-feira, refere a nota.
Na quarta-feira, o Centcom tinha anunciado a neutralização de um petroleiro vazio que tentou romper o bloqueio, disparando contra a sua chaminé.
Donald Trump já tinha imposto um bloqueio aos portos iranianos de 13 de abril a 18 de junho, período durante o qual o Exército norte-americano neutralizou nove navios e redirecionou mais de 140, segundo a contagem do Centcom.
Também na quinta-feira à noite, os EUA realizaram ataques que atingiram infraestruturas de transporte no Irão, incluindo pontes, segundo os meios de comunicação social estatais iranianos.
A ofensiva marca uma nova escalada mais de uma semana após o retomar das hostilidades em torno do estratégico estreito de Ormuz.
Uma série de explosões atingiu várias áreas no sul do Irão, perto do estreito de Ormuz, segundo a imprensa estatal do país.
Duas pontes foram atingidas na região de Bandar Khamir, matando duas pessoas e ferindo quatro, segundo a emissora estatal IRIB.
Uma estação ferroviária em Bandar Abbas foi também "alvo do inimigo americano", segundo a IRIB, que reportou dois feridos no local.
O aeroporto de Iranshahr (sudeste) foi atingido por "pelo menos um projétil do inimigo norte-americano", informou a mesma fonte.
O Presidente Donald Trump tinha ameaçado, no início da semana, atacar pontes e centrais elétricas do país caso os iranianos não regressassem à mesa das negociações.
Teerão, por sua vez, continuou a atacar com drones países da região aliados a Washington, num cenário que se repete há vários dias.
Os confrontos recomeçaram em 07 de julho, após ataques a navios no Golfo, atribuídos ao Irão.
Os ataques lançados desde então são sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, minando os esforços diplomáticos para um fim duradouro do conflito.
Desencadeado em 28 de fevereiro por bombardeamentos israelitas e norte-americanos, o conflito já matou milhares de pessoas, principalmente no Irão e no Líbano, e continua a desestabilizar a economia global.
O Paquistão, que é o mediador das negociações, instou ambas as partes na quinta-feira a "pôr fim à violência e retomar as discussões" no âmbito do memorando de entendimento assinado em meados de junho, que entretanto colapsou.
Islamabade apelou ainda ao "regresso à normalidade no estreito de Ormuz", que foi novamente bloqueado pelo Irão no passado fim de semana.
Em resposta, os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos na noite de terça-feira.
No estreito por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo antes da guerra, o tráfego diminuiu.
Os preços do petróleo mantêm-se relativamente estáveis apesar da situação, com o barril de petróleo Brent a rondar os 85 dólares.