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Ford indicia que trabalho remoto sobreviverá à pandemia

Ford indicia que trabalho remoto sobreviverá à pandemia

A Ford tornou-se na mais recente multinacional norte-americana a autorizar o trabalho remoto depois da pandemia, uma tendência que empresas especializadas consideram indiciar mudanças duradouras nas políticas laborais.

Lusa /
Ford equaciona manter o trabalho remoto após a pandemia Ronen Zvulun - Reuters

Cerca de 30 mil funcionários da Ford em todo o mundo, atualmente a trabalhar a partir de casa, foram informados de que poderão continuar a fazê-lo, gerindo o seu horário de forma flexível, mediante aprovação dos seus superiores.

A empresa admite agora que os departamentos funcionem com horas de trabalho "híbridas", com os trabalhadores a deslocarem-se aos escritórios das empresas apenas para reuniões de grupo e projetos que exigem interação pessoal, podendo trabalhar de casa noutros períodos.

Antes da Ford, já multinacionais como a Facebook, Google e Salesforce anunciaram que irão manter por um período indefinido a sua política atual de trabalho remoto.

Também a empresa de retalho Target Corp. anunciou a adoção de um modelo de trabalho híbrido para 3.500 trabalhadores, vagando um dos quatro edifícios que ocupa na baixa da cidade de Minneapolis.

De acordo com um estudo da consultora PwC, a grande maioria dos executivos de empresas consideram bem-sucedida a experiência de trabalho remoto durante a pandemia, e 55% preveem manter a política mesmo depois de normalizada a situação.

Apenas 17% dos executivos inquiridos, na maioria de grandes empresas, queria os trabalhadores no escritório assim que possível, enquanto 26% preferiam trabalho remoto limitado, de acordo com a PwC.

Segundo um estudo de Alexander Bick, da Arizona State University, 13% dos trabalhadores planeiam trabalhar de casa a tempo inteiro depois da pandemia, quase o dobro do registado em fevereiro de 2020, e 25% preveem fazê-lo pelo menos um dia por semana.

Problemas e anúncios

O trabalho remoto levanta também problemas, sobretudo por se aplicar a funções mais bem pagas, mas não a outras manuais, como em unidades industriais ou estaleiros de construção, criando situações de desigualdade dentro das empresas.

Para refletir a nova realidade do trabalho nas empresas, algumas empresas estão já a redesenhar as suas instalações, no caso da Ford eliminando cubículos e gabinetes e criando mais salas de conferências e outros espaços comuns para os trabalhadores.

Segundo o site de emprego Indeed, os anúncios de trabalho remoto mais do que duplicaram desde o início da pandemia, e continuam a aumentar, mesmo com o acelerado ritmo de vacinação nos Estados Unidos a fazer prever uma normalização no verão.

Jed Kolko, economista-chefe da Indeed, afirmou à AP que "se os anúncios de emprego forem uma referência, os empregadores estão cada vez mais abertos ao trabalho remoto, mesmo com alguns trabalhadores a regressarem aos escritórios".

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