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Fórum de Defesa de Pequim. Rússia acusa Ocidente de alimentar tensões

Fórum de Defesa de Pequim. Rússia acusa Ocidente de alimentar tensões

No anual Fórum de Defesa em Pequim, na China, o ministro russo da Defesa juntou-se às críticas chinesas sobre o envolvimento dos Estados Unidos e aliados nas tensões geopolíticas na região Ásia-Pacífico. Serguei Shoigu acusou, uma vez mais, o Ocidente de alimentar conflitos e minar a estabilidade regional para assegurar a própria "hegemonia", alertando para o perigo de haver uma crise entre grandes potências.

Inês Moreira Santos - RTP /
Florence Lo - Reuters

“Para manter o domínio geopolítico e estratégico, os Estados Unidos estão deliberadamente a minar a base da segurança internacional e da estabilidade estratégica”, afirmou, no Fórum Xiangshan, o maior evento anual da China centrado na diplomacia militar.

Alegando que Moscovo estaria pronta para novas conversações sobre uma potencial resolução para o conflito russo-ucraniano, Shoigu afirmou que os países ocidentais pretendiam infligir uma “derrota estratégica” à Rússia, através de uma “guerra híbrida”. O Estado russo está aberto a negociações “se as condições forem adequadas”, frisou ainda, aproveitando para elogiar ainda o modelo de relações entre Moscovo e Pequim, classificando-o como “exemplar”.

Os EUA e os seus aliados ocidentais, acrescentou, estão a ameaçar a Rússia através da “expansão para leste” da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês).

“Os países ocidentais pretendem agravar o conflito com a Rússia e aumentar o risco de um grande confronto entre países”, o que “vai ter consequências graves”, advertiu.

Entre as críticas, Shoigu destacou a “corrida armamentista” ocidental na região Ásia-Pacífico e o “desejo ostentoso de diálogo” que ia encobrindo o aumento de militares nestes territórios.

O ministro da Defesa da Rússia minimizou também a decisão de Moscovo de revogar a ratificação do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, argumentando que tal não representa o fim do acordo e garantindo que as autoridades russas não estavam a reduzir o limite para a utilização de armas nucleares.

“Estamos apenas a tentar restaurar a paridade com os Estados Unidos, que não ratificaram este tratado”, clarificou Shoigu, segundo a agência de notícias russa RIA. “Não estamos a falar sobre a sua destruição”.

O ministro russo falou logo após Zhang Youxia, o segundo principal oficial da China e vice-presidente da Comissão Militar Central, o braço político das Forças Armadas chinesas. Zhang abriu o evento de três dias, face à ausência do general Li Shangfu, que foi afastado do cargo de ministro da Defesa da China na semana passada, após dois meses sem aparecer em público. O Governo chinês não deu detalhes sobre o afastamento de Li.
Rússia redobra ataques em zona estratégica do Donbass

No fim de semana, o exército russo redobrou os ataques às tropas ucranianas que defendem o reduto estratégico de Avdiivka, no sul do Donbass, uma batalha da qual também depende o sucesso da contraofensiva ucraniana em direção ao Mar de Azov.

O Estado-Maior ucraniano afirmou que registou 15 ataques inimigos em Avdiivka, mas referiu que os russos ainda têm que fazer muito para fechar o corredor de vários quilómetros que leva reforços e suprimentos aos defensores da cidade.


Segundo a imprensa ucraniana, seis brigadas motorizadas russas fortemente equipadas, apoiadas por aviação e artilharia pesada, participam nesta ofensiva há três semanas.

"Os objetivos do inimigo são muito primitivos. Putin precisa de algum tipo de resultado positivo", disse domingi, num canal de televisão, Mikhailo Podoliak, conselheiro da presidência ucraniana.

"Eles usam ataques frontais. Até tentam minimizar a perda de equipamento militar, já que qualquer coisa vale"
, referiu Podoliak.

Embora os relatórios de guerra russos não informem sobre o progresso da ofensiva em Avdiivka, Kiev também relatou cerca de 20 ataques em Marinka, a outra cidade estratégica localizada ao sul da cidade de Donetsk.

c/ agências
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