Mundo
França estudantil nas ruas. Revolta cresce com participação de estudantes universitários
Num momento em que o Governo francês suspendeu o uso de granadas de atordoamento pela polícia e dois dias após um adolescente de 15 anos ter perdido a mão durante os protestos - à espera da declaração do primeiro-ministro francês, esta quarta-feira, sobre as reivindicações dos estudantes, mais de 500 escolas continuam total ou parcialmente fechadas.
Todos exigem melhores condições no sistema educativo do país e protestam contra a deterioração da infraestrutura das escolas, a falta de professores, jornadas excessivas e a falta de investimentos na educação.
Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o desempenho dos estudantes franceses caiu mais rapidamente que a média dos países da organização desde 2015.
Entretanto, o Governo suspendeu o uso de granadas de atordoamento. O anúncio foi feito pelo ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, em entrevista à rádio RTL. A suspensão, segundo o ministro, vale para todos os protestos de estudantes, "somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu".
Em causa está o rebentamento de uma dessas granadas que tirou a mão a um jovem de 15 anos. Apesar de ser considerada uma arma não letal, a granada liberta pequenos projéteis de borracha ao ser detonada. O caso junta-se a várias denúncias de repressão policial que as autoridades negam.Ainda assim, a Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) já abriu 18 investigações.
Jornal da Tarde | 7 de outubro de 2026
Outro caso de denúncia de violência policial aconteceu em Saint-Ouen-l'Aumône, a noroeste de Paris. Um estudante de 14 anos perdeu vários dentes e sofreu uma fratura na mandíbula com a explosão de uma bomba de gás lacrimogéneo a curtíssima distância.