França fecha acordo com a Índia para venda de centrais nucleares e aviões europeus

A França acordou com a Índia a venda de centrais nucleares, bem como de aviões de longo curso Airbus A-320 e de linhas regionais ATR, ao terminar hoje a visita oficial de dois dias do Presidente Jacques Chirac.

Agência LUSA /

Esta deslocação teve como objectivo facilitar às empresas francesas a conquista de maiores quotas no mercado de um país em plena expansão, face à concorrência dos Estados Unidos.

De facto, a estada de Chirac precedeu apenas nalguns dias a do Presidente norte-americano, George W.Bush, cuja presença virá confirmar o interesse na emergência da Índia.

Nova Deli e Paris anuíram no "incremento da parceria estratégica" em todos os domínios, consagrada numa declaração conjunta em que ressalta a cooperação nuclear com fins civis.

Neste sentido, foi dada "luz verde" ao "início de negociações visando um acordo bilateral de cooperação para o desenvolvimento da energia nuclear com fins pacíficos, sob reserva das obrigações e compromissos internacionais respectivos", salienta a declaração assinada pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, e por Chirac.

A Índia, potência nuclear desde 1998, não ratificou o Tratado de Não-Proliferação (TNP) de Armas Nucleares, o que actualmente a impede de cooperar com os membros do Grupo de Fornecedores Nucleares (NSG).

As necessidades da Índia, que procura desesperadamente novas fontes energéticas para sustentar uma taxa anual de crescimento de oito por cento, apontam para a construção de 25 a 30 centrais nucleares.

A batalha pelo mercado indiano será travada quando Nova Deli decidir separar as vertentes civil e militar do seu programa nuclear, abrindo as portas a inspecções do organismo regulador da ONU, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

A visita oficial de Chirac também ficou marcada pela assinatura, após três anos de negociações, da venda de 43 aviões de longo curso Airbus A-320 à companhia estatal Indian Airlines, por cerca de 2.000 milhões de euros.

No domingo, a companhia regional Kingfisher Airlines encomendou 15 aviões ATR 72-500, por cerca de 226 milhões de euros, com opção para compra de mais 20 unidades.

Nos âmbitos político e cultural foram subscritos nove acordos, nomeadamente um para reforço da colaboração no sector da Defesa.

O ministro do Comércio indiano, Kamal Nath, expressou o desejo de aumentar de 2.500 para 8.500 milhões de euros o volume das transacções indo-francesas nos próximos três anos. Por ora, a França é o 15/o fornecedor da Índia e o seu 11/o cliente.

Chirac reiterou ainda o seu apoio à "legítima aspiração" indiana de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU pelo bloco asiático, bem como de integrar o grupo dos países mais industrializados do mundo e a Rússia, G8.

O último dia da visita do alto dignitário do Eliseu ficou assinalado por um protesto de dezenas de estudantes sikhs em Nova Deli, que exigiram a revogação da proibição de ostentar símbolos religiosos, entre os quais turbantes, nas escolas públicas francesas.

Os manifestantes, empunhando faixas, entregaram uma petição na Embaixada da França.

A religião sikh, fundada no século XV, interdita aos fiéis o corte do cabelo durante toda a vida, impondo aos homens o uso do turbante cruzado na frente.

A maioria da comunidade radicada em França - cerca de 6.000 pessoas - habita nos subúrbios de Paris. Dos 300 estudantes recenseados, vários foram expulsos dos estabelecimentos de ensino por se recusarem a tirar o turbante.

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