França homenageia os "Justos" que salvaram judeus da barbárie nazi
A França prestou hoje homenagem aos seus 2.725 "Justos" e outros heróis anónimos que ajudaram a salvar os judeus da barbárie nazi durante a Segunda Guerra Mundial, numa cerimónia realizada no Panteão de Paris.
à cerimónia assistiu o presidente francês, Jacques Chirac, que exortou ao combate sem tréguas ao extremismo e ao anti-semitismo.
Chirac, o primeiro presidente de França a reconhecer, em 1995, a responsabilidade do Estado francês na deportação dos judeus de França, contrapôs "a luz" encarnada pela acção dos "Justos" e outros heróis anónimos, às "trevas" da colaboração com os nazis.
"Vocês, Justos de França, haveis transmitido à nação uma mensagem essencial para hoje e amanhã, a rejeição da indiferença, da cegueira", afirmou na cripta do Panteão, onde foi descerrada uma placa em honra de todos os franceses que salvaram os judeus da perseguição e dos campos de concentração nazis.
O memorial de Yad Vashem em Israel reconheceu oficialmente 2.725 franceses como "Justos entre as Nações" por terem salvo a vida de judeus, pondo em perigo a sua própria vida.
"Mais do que nunca devemos escutar" a mensagem dos "Justos", porque " o combate pela tolerância e a fraternidade e contra o anti- semitismo, as discriminações e o racismo, todos os racismos", é um combate perpétuo, acrescentou.
Para Chirac, a lição daqueles "anos negros" é que quando se transige com o extremismo "mais tarde ou mais cedo se paga o preço".
"Se o anti-semitismo prosperou nos anos 30 e 40, é porque não foi condenado com a suficiente firmeza. É porque de algum modo foi tolerado com uma opinião entre outras", disse Chirac.
"Face ao extremismo, só há uma atitude: a rejeição, a intransigência", salientou o presidente francês, que pediu também uma luta "sem quartel" contra o "negacionismo", que qualificou como a "forma mais abjecta de anti-semitismo" e cuja tese central é a negação da existência do Holocausto.
Precisamente hoje, o presidente do novo grupo da extrema- direita no Parlamento Europeu (PE), Bruno Golnisch, da Frente Nacional francesa, foi condenado a três meses de prisão com pena suspensa e uma multa de 5.000 euros por ter posto em questão o Holocausto, concretamente o uso das câmaras de gás pelos nazis nos campos de extermínio.
Chirac aproveitou a cerimónia de hoje, na presença de cerca de 250 "Justos" e sobreviventes das perseguições nazis, entre os quais a ministra Simone Weil, para atacar o "anti-semitismo de Estado" do governo colaboracionista de Vichy, chefiado pelo marechal Philippe Petain entre 1940 e 1944.
Três quartos dos 300.000 judeus de França salvaram-se durante a Segunda Guerra Mundial.
Depois da Dinamarca, a França foi o segundo país europeu ocupado pelos nazis onde a proporção de judeus vítimas do Holocausto foi mais baixa.