França indignada com vídeo de polícia próximo de Le Pen com comentários racistas

França indignada com vídeo de polícia próximo de Le Pen com comentários racistas

Um vídeo gravado acidentalmente no qual se ouve um polícia municipal filiado no partido de Marine Le Pen, a Rassemblement National (RN), e colegas seus a fazer comentários racistas, homofóbicos e sexistas está a causar grande indignação em França.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Stephanie Lecocq - Reuters

O vídeo, revelado pelo jornal Midi Libre e amplamente divulgado hoje por outros meios e nas redes sociais, é um excerto de cinco minutos de uma gravação involuntária de cerca de seis horas feita pelo corpo de patrulha do próprio agente em novembro de 2025.

As imagens captam a atuação de uma equipa de quatro agentes e, destes, o chefe da patrulha é o autor da maior parte dos comentários de ódio, embora alguns dos seus colegas também profiram opiniões semelhantes, sobretudo racistas.

O vídeo mostra, entre outros aspetos, como os agentes utilizavam habitualmente termos depreciativos como "moritos", como se comparava migrantes a animais ou como falavam em "pôr Macron e todos os maricas na berlinda", numa referência ao presidente francês, Emmanuel Macron.

Das mulheres falam nas conversas usando termos depreciativos como "cabronas" e apoiam também teorias conspirativas como a que a primeira-dama, Brigitte Macron, é na verdade uma pessoa trans.

O Ministério Público abriu uma investigação sobre a gravação, segundo adiantou o Midi Libre.

De acordo com este meio de comunicação social, as imagens circulavam na esquadra de Carcassona, no sul de França, desde finais de 2025, e isso tinha levado o chefe de esquadra a apresentar uma denúncia por violação da sua privacidade.

Por seu lado, o ministro do Interior de França, Laurent Nuñez, anunciou que pediu à inspeção-geral da administração que efetue uma fiscalização à polícia municipal de Carcassona.

Hoje, a divulgação pública das imagens motivou muitas reações políticas, inclusive do o partido da líder da extrema-direita Le Pen, favorita nas sondagens para as eleições presidenciais de 2027, que condenou os incidentes e anunciou a exclusão do chefe de patrulha do partido, bem como a sua expulsão enquanto membro voluntário do seu serviço de segurança.

"A Rassemblement National condena com a maior firmeza estas declarações, puníveis criminalmente, que vão contra os valores que o nosso movimento defende", afirmou o bloco num comunicado.

Após a divulgação dessa mensagem, o presidente da localidade de Carcassona, Christophe Barthès (da AN), também se dirigiu à imprensa para garantir que serão tomadas "sanções à altura da gravidade dos factos", garantindo que todos os envolvidos foram suspensos e considerando que os comentários são "para vomitar".

O primeiro edil apontou a responsabilidade para equipa municipal anterior da UDF (centro-direita), já que, embora o principal envolvido no vídeo policial fosse filiado no seu partido, o bloco só governou em Carcassona após a vitória nas municipais do passado mês de março.

Anteriormente, num comunicado emitido de manhã, a Câmara Municipal tinha alegado que as gravações provinham de uma câmara furtada e que isso gerava dúvidas sobre a sua recuperação.

A ministra delegada da Igualdade, Aurore Bergé, qualificou os comentários de "absolutamente inaceitáveis" e afirmou hoje, em declarações à rádio RMC, que aquelas constituem um crime.

Por outro lado, Carole Delga, presidente socialista da região de Occitânia, onde se encontra Carcassona, disse sentir "vergonha" e pediu que se adotem sanções, porque vestir uniforme é "servir a República, não sujá-la".

"É assim que seria uma França governada pelo RN. Ódio desinibido e fomentado, mesmo onde se espera justiça e segurança", criticou também o ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, um dos candidatos centristas a suceder Macron no Eliseu em 2027.

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