França pode impor mais restrições e novo confinamento na resposta à pandemia

por RTP
Reuters

Com o aumento exponencial de infeções e de hospitalizações, França voltou a considerar endurecer mais as medidas restritivas, incluindo impor novo confinamento nacional, embora menos estrito do que na primavera. O governo francês reúne-se esta quarta-feira de manhã, em Conselho de Defesa, antes de Emmanuel Macron anunciar o novo pacote de medidas em resposta à progressão da Covid-19 no país.

As novas medidas restritivas, que já se prevêem "impopulares", vão ser decididas esta quarta-feira de manhã numa reunião com o Conselho de Defesa e Segurança Nacional francês, dedicado à pandemia do novo coronavírus e ao fim do dia, Emmanuel Macron vai dirigir-se ao país para apresentar o novo plano para a luta contra a pandemia.

Depois de França ter registado um número recorde de mortos em apenas 24 horas, superando os 520, o Governo considerou o endurecimento das restrições. Os cenários previstos vão desde o reforço do recolher obrigatório - que pode começar às 19 horas, ou mesmo ser alargado - até a um novo confinamento nacional.

Além do número crescente de vítimas mortais devido à Covid-19, os dados revelados pela Public Health France, na terça-feira, revelam que metade das camas das Unidades de Cuidados Intensivos dos hospitais estão agora ocupados por doentes Covid-19 e a tendência é para continuar a aumentar o número de internamentos, considerando o número de casos diários dos últimos dias.

Depois deste números na terça-feira, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, considerou "indispensável" a aplicação de "novas medidas", que deverão ser apresentadas na quinta-feira no Parlamento.

"Temos de conseguir não só a representação nacional, mas todo o nosso país", escreveu o chefe do executivo francês na rede social Twitter.

Também o ministro do Interior, Gerald Darmanin, alertou que se esperavam "decisões difíceis", referindo-se às novas medidas definidas em Itália, Espanha e República Checa.

No entanto, contrariando o princípio de "territorialização" que tem prevalecido até agora, o executivo está a fazer uma "reflexão nacional" sobre a um novo plano para enfrentar a segunda vaga da pandemia e o possível confinamento nacional é a opção mais apoiada dentro do governo, segundo a imprensa francesa. Os outros dois cenários em consideração são o alargamento do recolher obrigatório e o confinamento apenas aos fins de semana.

Mas caso o governo decida impor confinamento total ao país durante pelo menos quatro semanas, desta vez as escolas primárias e as creches devem manter-se abertas. As escolas de ensino básico e secundário é uma questão ainda por resolver, mas quanto ao Ensino Superior as aulas devem passar a ser novamente à distância.

Há ainda a questão do trabalho e do comércio. Segundo o Le Monde, o governo francês vai apelar a que quem tenha funções que o permitam, continue em teletrabalho e o comércio não essencial pode ser encerrado ou ter horários mais reduzidos.

Atualmente, cerca de 46 milhões de franceses estão já sujeitos ao recolher obrigatório noturno, entre 21h00 e 6h00, medida que pode ser alrgada a todo o país e antecipada umas horas.

As organizações patronais já alertaram para o risco de colapso económico.

"Se voltarmos ao confinamento, como em março, estaremos a caminhar para o colapso da economia francesa e corremos também o risco de não conseguirmos recuperar", alertou Geoffroy Roux de Bézieux, presidente do Mouvement des Enterprises de France (MEDEF), a maior organização do patronado do país.

Ainda tudo está em aberto, mas as medidas serão apresentadas por Emmanuel Macron, num discurso transmitido para todo o país pelas 20h00 desta quarta-feira, a partir do Palácio do Eliseu, para anunciar o novo pacote de medidas para combater a pandemia da Covid-19.
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