França quer proibir os cigarros eletrónicos

Faz parte do novo plano antitabágico do Governo de França. A primeira-ministra francesa, Élisabeth Borne avançou com a intenção de implementar medidas para proibir os cigarros eletrónicos no país. As novas regras devem vigorar a partir do final do ano.

RTP /
Foto: Romain B - Unsplash

Élisabeth Borne, a primeira ministra de França, acredita que os vaporizadores descartáveis “criam um reflexo, um gesto, ao qual os jovens se habituam, e depois acabam por ser atraídas pelo tabaco”.

Por isso quer colocar em prática um plano para interditar esses dispositivos. “Podemos ser informados de que não é nicotina” mas a primeira-ministra reitera que “temos que parar com isso”.

Borne, numa entrevista à rádio RTL, defendeu a elaboração de um plano para banir os vaporizadores, também conhecidos localmente por puffs. A primeira-ministra argumenta que os dispositivos descartáveis representam perigo para o meio ambiente e para a saúde pública.

“O governo apresentará em breve um novo plano nacional de combate ao tabagismo, incluindo a proibição dos cigarros eletrónicos descartáveis, os famosos puffs, que dão maus hábitos aos jovens”, anunciou no domingo mas não adiantou detalhes.
Armadilha com sucesso
Por sua vez a Academia Nacional de Medicina da França descreve os cigarros eletrónicos como uma “armadilha particularmente astuta para crianças e adolescentes”.

De acordo com a Aliança Contra o Tabaco (ACT), 13 por cento dos jovens entre os 13 e 16 anos já experimentaram dar "baforadas" pelo menos uma vez. A maioria diz que começou por volta dos 11 ou 12 anos. No entanto, a lei proíbe a venda de cigarros eletrónicos a menores.

“[A proibição] é uma grande vitória para a sociedade civil. Estes cigarros eletrónicos descartáveis estão a funcionar como uma porta de entrada para os jovens fumarem”, sublinha o presidente da ACT, Loïc Josseran.

"Tornou-se uma epidemia. É terrível a forma como a indústria do tabaco se propôs a fisgar as crianças”, afirma Josseran.

Em França, os vaporizadores tem uma distribuição em massa às lojas especializadas, nas lojas de descontos (La Foir'Fouille, Gifi, etc.), nas tabacarias. Também são vendidos na Internet.

De acordo com a ACT, as tabacarias abstêm-se sistematicamente de pedir prova de idade.

Custam 7.70 euros, menos que um maço de tabaco de 20 cigarros. Cada puffs deverá permitir cerca de 600 vaporizações.

O fenómeno dos puffs está a crescer, uma vez que já representam dez a 15 por cento dos volumes de vendas do mercado de cigarros eletrónicos (estimados em mais de mil milhões de euros), segundo a France Vaping.

O dispositivo é operado por uma bateria que produz um aerossol – vapor . Normalmente contém nicotina, solventes, aromas e outros aditivos. Os cigarros eletrónicos não contêm tabaco, fato que os distingue dos cigarros convencionais ou dos cigarros de tabaco aquecido.

Os ativistas acusam os fabricantes - muitos deles baseados na China – de procurarem deliberadamente os adolescentes e captá-los para o ato de fumar. Considerados um alvo fácil, "os jovens são atraídos pelas cores vivas e variedade de sabores que remetem para as lojas de doces".

“É uma praga ambiental”, escreveu um grupo de médicos e ambientalistas franceses no jornal Le Monde no início deste ano.

Alegam que cada cigarro eletrónico descartável é produzido em plástico e contém uma bateria não removível com cerca de 0,15 gramas de lítio, além de sais de nicotina e vestígios de metais pesados.

A França não é uma exceção na Europa: vários países, incluindo Alemanha, Irlanda e Bélgica, também anunciaram uma futura proibição destes cigarros eletrónicos.
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