Francisco Carvalho chega ao Governo de Cabo Verde depois da Câmara da Praia

Francisco Carvalho chega ao Governo de Cabo Verde depois da Câmara da Praia

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, empossou hoje Francisco Carvalho como primeiro-ministro do país, o terceiro consecutivo a assumir o cargo após ter sido presidente de um município.

Lusa /
Mário Galego - RTP Antena1

Carvalho foi eleito presidente da Câmara da Praia em 2020 e a reeleição, em 2024, com maioria reforçada, projetou-o para a liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), em maio de 2025, e para a candidatura a primeiro-ministro.

Sucede a Ulisses Correia e Silva, ex-presidente do Movimento para a Democracia (MpD), primeiro-ministro desde 2016 e que antes disso também liderou o município da Praia.

Antes de Ulisses, o líder do Governo desde 2001 e durante 15 anos foi José Maria Neves (hoje Presidente da República) que também já tinha sido eleito presidente da Câmara de Santa Catarina, na ilha de Santiago.

Francisco Carvalho nasceu na ilha do Fogo, a 04 de dezembro de 1970 (55 anos), é casado e pai de duas filhas, reside no bairro de Vila Nova, cidade da Praia.

É licenciado em sociologia pela Universidade Nova de Lisboa, onde completou uma pós-graduação em Migrações, Minorias Étnicas e Transnacionalismo -- temas que nortearam várias das suas publicações em revistas da área -- e onde tem em curso um doutoramento em Sociologia e Economia Históricas.

Esteve ligado a várias associações em Cabo Verde e em Portugal, onde estudou, assumiu funções como diretor-geral das Comunidades (2012-2016) e tem experiência na docência, tanto em escolas públicas como na Universidade de Cabo Verde.

O percurso dentro do PAICV começou em 2013, como membro do Conselho Nacional, vencendo as eleições para a Câmara Municipal da Praia, em 2020, ano em que entra na Comissão Política Nacional do partido.

A reeleição, em 2024, catapultou-o para a presidência do PAICV com a moção estratégica "Cabo Verde para todos", cujas linhas gerais conduziram a campanha nas últimas legislativas.

"Sou da esquerda democrática, com um sentir e um compromisso de cidadão para com a sua terra, Cabo Verde, que nos viu nascer", escreveu no documento.

Janira Hopffer Almada, antiga presidente do partido, classificou-o na quinta-feira como um líder com "autenticidade admirável" e "generosidade raríssima", atribuindo-lhe uma "capacidade de ver antes do tempo e além do óbvio", num agradecimento após ter sido eleita a primeira mulher presidente da Assembleia Nacional, onde a nova maioria absoluta do PAICV assumiu os lugares.

O ex-primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva acusou-o de ter como referência o "populismo" que "cavalga" noutros pontos do globo e de "não respeitar as instituições da justiça e outras", numa alusão à forma como reagiu a investigações à Câmara da Praia.

Francisco Carvalho queixou-se, no final de 2025, de "utilização dos órgãos institucionais por motivações políticas", levando o Ministério Público a pronunciar-se, negando qualquer perseguição -- de que o líder do PAICV reiteraria estar a ser alvo.

"Acho estranho que as pessoas vejam no cumprimento da Constituição da República uma ameaça à democracia", disse à Lusa, dias antes de ser eleito, referindo noutras intervenções que o principal desafio à atividade política atual é estar sintonizada com as necessidades da população.

O PAICV conquistou 90.660 votos (48,04%) nas eleições de 17 de maio, o MpD recolheu 84.458 votos (44,75%) e a UCID obteve 9.812 votos (5,2%).

O ato eleitoral registou uma abstenção recorde, com mais de metade dos eleitores inscritos a preferirem ficar longe das urnas (taxa de abstenção de 53,5%).

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