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Frente-a-frente crucial entre sérvios e albaneses

Frente-a-frente crucial entre sérvios e albaneses

Representantes do governo da Sérvia e da liderança albanesa do Kosovo reúnem-se hoje, em Nova Iorque, no primeiro frente-a-frente entre as duas partes desde o reinício das discussões sobre o estatuto final da província.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Além deste primeiro encontro directo entre as delegações de Belgrado e Pristina na delegação da União europeia em Nova Iorque, a ronda negocial de hoje inclui reuniões da Troika (Estados Unidos, Rússia e União Europeia) que coordena as negociações e do Grupo de Contacto (França, Reino Unido, Alemanha, Rússia, Itália, Estados Unidos) que, quinta-feira à noite, tentou ultrapassar as divisões sobre o futuro estatuto da província independentista sérvia.

A anuência das duas partes aos apelos para se sentarem à mesma mesa, um resultado conseguido pela Troika nas negociações da semana passada em Londres, constituirá provavelmente o único avanço concreto registado desde o início desta última ronda de discussões sobre o Kosovo.

Até agora, as negociações iniciadas em Agosto, depois do abandono do plano Ahtisaari de independência do Kosovo por oposição da Rússia, não conseguiram aproximar as posições das duas partes.

O governo de Belgrado mostra-se disposto a reconhecer ao Kosovo um elevado grau de autonomia, mas continua a rejeitar qualquer estatuto de independência e ameaça recorrer a medidas como o bloqueio económico da província em caso de proclamação unilateral de independência.

A liderança albanesa exige a independência incondicional e o primeiro-ministro, Agim Ceku, anunciou a intenção de proclamar unilateralmente a soberania do Kosovo e exigir o reconhecimento internacional.

Nos meios diplomáticos empenhados nas negociações as posições também divergem.

Washington insiste no prazo limite estabelecido para a ronda de negociações em curso, 10 de Dezembro, e declarou já que os Estados Unidos reconhecerão uma declaração unilateral de independência.

A Rússia defende o prosseguimento das negociações e continua a opor-se a qualquer solução fora do quadro das Nações Unidas que não resulte de um acordo entre as duas partes.

O Kremlin dá mesmo sinais de endurecimento de posições, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, declarou há uma semana em Moscovo que o Kosovo constitui para a Rússia uma verdadeira "linha vermelha".

Do ponto de vista da União Europeia, a questão passa antes de mais pelo imperativo de evitar a todo o custo que a questão do Kosovo abra brechas na coesão dos 27, dada a divisão entre os que são favoráveis a um reconhecimento sem passar pela ONU (como a Alemanha ou o Reino Unido) e os que pretendem que o estatuto do Kosovo seja regulado por uma resolução das Nações Unidas (como a Espanha ou a Chipre).

Embora fontes diplomáticas europeias admitam que a União Europeia seguirá a posição dos Estados Unidos, reconhecem que não será fácil falar a uma só voz em nome dos 27 visto que vários países europeus manifestam séria resistência ao reconhecimento de uma eventual proclamação de independência.

A Eslováquia e a Roménia, a braços com as reivindicações de minorias magiares, e Chipre, por causa da questão turca no Norte, receiam um efeito de contágio. A Grécia e Espanha têm igualmente reticências e outros países europeus preferem uma solução negociada no quadro da ONU.

Há ainda a questão da Rússia, com países como a França a considerarem o Kosovo como o "primeiro grande teste" à capacidade da Europa de formular uma política firme face a Moscovo enquanto outros preferem evitar demasiados danos nas já problemáticas relações com a Rússia.

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