Frente Polisário reivindica novos ataques contra forças marroquinas no Saara Ocidental
Unidades da Frente Polisário desencadearam hoje novos ataques contra forças marroquinas ao longo do muro de separação no deserto, indicou em comunicado oficial o Ministério da Defesa da República Árabe Democrática Sarauí (RADS).
Segundo a nota ministerial, unidades do Exército de Libertação Popular Sarauí (EPLS) atacaram nas regiões de Laaked e Aguerara Forcik e ainda na região norte de Asetila Ould Bouguerin, respetivamente nos setores de Mahbes e Auserd.
"Os ataques e bombardeamentos do Exército de Libertação Popular Sarauí prosseguem ao longo do Muro da Vergonha, implicando consideráveis perdas humanas e materiais nas fileiras das forças de ocupação marroquinas", assinala o comunicado citado pela agência noticiosa Efe.
Por sua vez, Rabat não se pronunciou sobre a situação na zona nem confirmou ou desmentiu estas operações.
Há um mês, a Frente Polisário denunciou a morte de 12 civis sarauís em dois ataques com drones ocorridos na área de Mijek, atribuído a Marrocos e registado nas designadas "zonas libertadas" da antiga colónia espanhola do Saara Ocidental, e negou as informações sobre a alegada morte de um "alto responsável militar".
Em paralelo, o Governo argelino, que em agosto rompeu as relações diplomáticas com Marrocos, denunciou perante a ONU um ataque que vitimou três civis argelinos que conduziam uma coluna de camiões pela estrada que atravessa o deserto e une a fronteira com Nuakchott, a capital da Mauritânia.
A situação na zona permanece muito tensa desde a ação das forças marroquinas há cerca de um ano, quando penetraram na zona desmilitarizada de Guerguerat, que separa a Mauritânia dos territórios ocupados por Marrocos em 1975, para desmantelar um acampamento de civis sarauís que protestavam contra a utilização comercial, por Rabat e Nuakchott, dessa área disputada.
No dia seguinte, a Frente Polisário considerou que a operação militar marroquina constituía uma rutura com o acordo de cessar-fogo concluído sob mediação da ONU em 1991, e iniciou ações de retaliação contra o muro erguido por Marrocos no Saara Ocidental.
A Polisário também insiste que a única solução para o conflito implica a realização de uma consulta sobre a autodeterminação, que as duas partes aceitaram há 30 anos, e admite que o acordo então firmado deve ser atualizado.
Marrocos recusa liminarmente a perspetiva da independência e assegura estar apenas disposto a negociar uma "ampla autonomia", com o reconhecimento prévio da soberania marroquina sobre o território.