Fuligem contribui mais para o aquecimento global do que se calculava
Washington, 16 jan (Lusa) -- A fuligem, partículas de carbono resultantes da queima de hidrocarbonetos, carvão e madeira, contribui mais do que se calculava até agora para o aquecimento global, indica uma nova estimativa divulgada hoje nos Estados Unidos.
A investigação, realizada por 31 cientistas e publicada na versão digital da revista norte-americana Geophysical Research-Atmospheres, concluiu que a fuligem é o segundo mais importante fator do aquecimento da atmosfera depois do dióxido de carbono (CO2), o principal gás com efeito de estufa.
Esta estimativa atual, com base em modelos de computador novos, duplica o impacto da fuligem no aquecimento em relação à avançada pelo grupo de especialistas da ONU sobre o clima, o GIEC, divulgada em 2007.
Os especialistas tiveram agora em conta a medida de acumulação de fuligem na atmosfera e a quantidade de calor solar que as partículas absorvem.
A fuligem fica na atmosfera de uma semana a 10 dias, o que permite obter rapidamente um impacto sobre o aquecimento ao reduzir a quantidade emitida.
Ao contrário, agir sobre o aquecimento global reduzindo as emissões de CO2 leva muito tempo devido à acumulação deste gás na atmosfera, onde pode ficar durante dezenas de anos.
Os autores do estudo assinalam haver ainda uma grande incerteza em relação ao efeito da fuligem na atmosfera e no aquecimento porque não são completamente compreendidas as suas interações com as nuvens.