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Funcionário da Embaixada venezuelana passa para o lado de Guaidó
O segundo secretário da Embaixada venezuelana em Lisboa, Víctor Liendo-Muñoz, desertou do seu posto e jurou obediência ao autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Mas a Embaixada continua sob controlo do Governo madurista.
Em vídeo divulgado num tweet de Francisco Sucre, responsável de política externa no staff de Guaidó, o diplomata declara o seu reconhecimento pelo autoproclamado presidente como "único e legítimo chefe de Estado da Venezuela" e apela à deserção de outros funcionários na
"recuperação da liberdade, da democracia e do Estado de direito". A RTP apurou que o ainda embaixador Lucas Rincón Romero destituiu Víctor Liendo-Muñoz de funções há 48 horas.
Textualmente, apela Liendo-Muñoz:"Diplomatas e funcionários da administração pública, membros das forças
de segurança e das forças armadas: os nosso cargos estão ao serviço do
Estado para proteger o povo. Vamos cumprir o nosso dever colocando-nos
do lado certo da história".
O tweet de Francisco Sucre saúda a decisão do diplomata como um novo avanço na criação de uma nova estrutura de representação externa.
Otro funcionario diplomatico que se pone del lado del Gobierno Legitimo del Presidente Juan Guaido y de la Constitucion! Segundo Secretario de nuestra Embajada en Portugal Victor Simon Liendo Muñoz Seguimos avanzando! pic.twitter.com/gCBELcKIVC
— Francisco Sucre (@fcosucre) 27 de fevereiro de 2019
Contudo, o que vai suceder para já é Víctor Liendo-Muñoz deixar de exercer na Embaixada as funções que aí detém desde há cerca de uma década. Isto porque a Embaixada em Portugal continua nas mãos do embaixador leal a Maduro, Lucas Rincón.
A situação do Governo português torna-se incómoda, depois de se terem gorado as expectativas de uma substituição de Maduro no dia marcado para a entrega da ajuda humanitária, e depois de se terem gorado as expectativas seguintes, de fazer caucionar uma invasão norte-americana da Venezuela pelos países do Grupo de Lima, representados na Cimeira de Bogotá.
Em boa lógica, seria expectável que o Governo português, depois de ter reconhecido Guaidó como presidente, recebesse as credenciais do novo embaixador nomeado por este para Lisboa, José Rafael Cots Malavé Dasilva. Mas, como o controlo das fronteiras e do território venezuelano continua nas mãos das autoridades maduristas, Lisboa não poderia nessa altura nomear um embaixador português em Caracas.
Assim se explica que o Palácio das Necessidades tenha optado por uma cuidadosa e ambígua escolha de palavras, tratando de ganhar tempo através da declaração do MNE, Augusto Santos Silva: "Aguardamos que a assembleia nacional venezuelana, querendo, nos comunique formalmente a decisão que terá tomado para a examinarmos então à luz do direito internacional e também da nossa própria posição".