Funcionário da Embaixada venezuelana passa para o lado de Guaidó

O segundo secretário da Embaixada venezuelana em Lisboa, Víctor Liendo-Muñoz, desertou do seu posto e jurou obediência ao autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Mas a Embaixada continua sob controlo do Governo madurista.

RTP /
O embaixador venezuelano em Lisboa, Lucas Rincón Manuel de Almeida, Lusa

Em vídeo divulgado num tweet de Francisco Sucre, responsável de política externa no staff de Guaidó, o diplomata declara o seu reconhecimento pelo autoproclamado presidente como "único e legítimo chefe de Estado da Venezuela" e apela à deserção de outros funcionários na "recuperação da liberdade, da democracia e do Estado de direito". A RTP apurou que o ainda embaixador Lucas Rincón Romero destituiu Víctor Liendo-Muñoz de funções há 48 horas.

Textualmente, apela Liendo-Muñoz:"Diplomatas e funcionários da administração pública, membros das forças de segurança e das forças armadas: os nosso cargos estão ao serviço do Estado para proteger o povo. Vamos cumprir o nosso dever colocando-nos do lado certo da história".

O tweet de Francisco Sucre saúda a decisão do diplomata como um novo avanço na criação de uma nova estrutura de representação externa.


Contudo, o que vai suceder para já é Víctor Liendo-Muñoz deixar de exercer na Embaixada as funções que aí detém desde há cerca de uma década. Isto porque a Embaixada em Portugal continua nas mãos do embaixador leal a Maduro, Lucas Rincón.

A situação do Governo português torna-se incómoda, depois de se terem gorado as expectativas de uma substituição de Maduro no dia marcado para a entrega da ajuda humanitária, e depois de se terem gorado as expectativas seguintes, de fazer caucionar uma invasão norte-americana da Venezuela pelos países do Grupo de Lima, representados na Cimeira de Bogotá.

Em boa lógica, seria expectável que o Governo português, depois de ter reconhecido Guaidó como presidente, recebesse as credenciais do novo embaixador nomeado por este para Lisboa, José Rafael Cots Malavé Dasilva. Mas, como o controlo das fronteiras e do território venezuelano continua nas mãos das autoridades maduristas, Lisboa não poderia nessa altura nomear um embaixador português em Caracas.

Assim se explica que o Palácio das Necessidades tenha optado por uma cuidadosa e ambígua escolha de palavras, tratando de ganhar tempo através da declaração do MNE, Augusto Santos Silva: "Aguardamos que a assembleia nacional venezuelana, querendo, nos comunique formalmente a decisão que terá tomado para a examinarmos então à luz do direito internacional e também da nossa própria posição".
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