Funcionários criticam ação insuficiente da Amazon contra alterações climáticas

Cerca de mil funcionários da Amazon planeiam uma paralisação de protesto contra a “inação” da empresa em relação às alterações climáticas.

RTP /
Jeff Bezos, o patrão da Amazon Jason Redmond, Reuters

A paralisação está marcada para 20 de setembro, antes da Greve Global do Clima, um evento internacional de uma semana que incentiva os funcionários a sairem dos seus locais de trabalho, chamando assim a atenção para a crise ecológica.

Os "Funcionários da Amazon pela Justiça Climática" publicaram uma carta online na segunda-feira declarando que a Amazon deveria liderar o assunto porque é "uma das maiores e mais poderosas empresas do mundo".

O coletivo exige, entre outras coisas, que a empresa teste os veículos elétricos nas cidades onde a própria Amazon tem um maior impacto ambiental, que pare de fazer donativos a políticos que negam as mudanças climáticas, e que pare de celebrar contratos com empresas de combustíveis fósseis. O grupo afirmou ser “fundamental” que até 2030 a Amazon se torne neutra em emissões de carbono.

"A Amazon é uma das empresas mais inovadoras do mundo", afirmou o grupo. "Orgulhamo-nos de [ela] ser líder. Mas, diante da crise climática, um verdadeiro líder é aquele que atinge as emissões neutras de carbono em primeiro, e não aquele que o atinge no último momento possível".

Em resposta aos "Funcionários da Amazon para a Justiça Climática", a empresa disse à CNN Business que reduzir as alterações climáticas provocadas pelo ser humano é um "compromisso importante". A Amazon já confirmou ter equipas de sustentabilidade a trabalhar em iniciativas para reduzir o seu impacto ambiental.

No início deste ano, a multinacional lançou o programa “Shipment Zero”, que visa tornar-se neutra em emissões de carbono até 2030, em metade dos seus envios. No entanto, a empresa defendeu que o comércio eletrónico e a computação em nuvem emitem menos carbono do que viagens pessoais e data centers.

"Na última década, através dos nossos programas de embalagens sustentáveis, eliminámos mais de 244.000 toneladas de materiais de embalagem e evitámos 500 milhões caixas de envio", lê-se no comunicado.

A Amazon e os seus funcionários já antes debateram sobre as alterações climáticas. Durante uma reunião de investidores em maio, mais de 7.600 funcionários assinaram uma carta solicitando à empresa um plano para responder às mudanças climáticas.
Na altura, o CEO Jeff Bezos disse que as alterações climáticas são uma preocupação. "É difícil encontrar uma questão que seja mais importante que a alteração climática", afirmou. "Há muitas iniciativas em curso, e ainda não terminamos.”
PUB