Fundação antecipa entrega de 418 casas devido às cheias em Moçambique

A fundação Tzu Chi Moçambique, organização humanitária de princípios budistas, antecipou a entrega de 418 casas na província de Sofala, centro, devido às chuvas que estão a causar inundações generalizadas, foi hoje anunciado.  

Lusa /

Em comunicado, a fundação indica que antecipou a entrega das casas, antes prevista para os próximos meses, face à vulnerabilidade das famílias que são atualmente afetadas por inundações naquele ponto do país.

"O impacto das chuvas no centro e sul do país é devastador. Decidimos acelerar a entrega das casas que já estavam prontas, como forma de responder de imediato às necessidades da população em Guara-Guara", explicou o presidente da Tzu Chi Moçambique, Dino Foi, citado no comunicado.

Estas 418 casas, entregues à população no domingo, foram construídas no centro de reassentamento de Guara-Guara, no distrito de Búzi, Sofala, fazendo parte das mais de 2.400 residências já concluídas, no universo das 3.000 previstas naquela província.

"De ponto de vista de prazos, no âmbito do compromisso que assumimos com o Governo em 2019, estamos a bom ritmo [...]. Mas interessava-nos acelerar a entrega deste lote de habitações, sobretudo agora, com a situação dramática que a maior parte destas famílias atravessa", frisou Dino Foi, citado no mesmo documento.

Em Moçambique, a Tzu Chi foi fundada em 2012 por Denise Foi, estando focada no apoio às comunidades em diversas áreas, com destaque para educação, agricultura, saúde e assistência às populações, sobretudo em períodos de emergência face às cíclicas calamidades naturais que têm afetado o país, recorda a instituição, que conta com 10 milhões de voluntários espalhados por todo mundo, incluindo 10 mil no país africano.

A Tzu Chi tem reforçado a sua atuação em Moçambique desde 2019, após o ciclone Idai, tendo já apoiado mais de 100 mil famílias em projetos ligados a educação, reassentamento, saúde e segurança alimentar, sobretudo no centro.

O Governo moçambicano estimou hoje que 40% da província de Gaza está submersa, devido às fortes cheias dos últimos dias e vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de pelo menos 152 quilómetros (km) de estradas.

Segundo informação do Ministério dos Transportes e Logística, da avaliação feita até sexta-feira há ainda registo de "mais de três mil quilómetros praticamente afetados em todo o território nacional, de estradas classificadas".

Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas e outras mais de 4.000 parcialmente inundadas, avançou na sexta-feira o Governo, decretando alerta vermelho nacional.

Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas quase ininterruptas de há vários dias e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

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