Fundo de emergências da ONU já mobilizou 4,2 milhões para cheias em Moçambique
O Fundo de Resposta de Emergências das Nações Unidas (CERF) mobilizou desde janeiro cinco milhões de dólares (4,2 milhões de euros) para mitigar as consequências das cheias em Moçambique, que afetaram nas últimas semanas quase 725 mil pessoas.
De acordo com informação daquele organismo consultada hoje pela Lusa, trata-se de verbas utilizadas para fornecer abrigos e assistência de emergência às populações deslocadas - 100 mil pessoas, que chegaram a estar distribuídas por 110 centros de acomodação -, sobretudo no sul do país.
As verbas angariadas pelo CERF resultam de doadores estrangeiros, entre outros, permitindo o apoio direto a mais de 300 mil pessoas.
Quase 40 mil moçambicanos estão hoje em centros de acomodação no sul do país, vítimas das cheias, mais de um mês após o início das inundações.
Segundo informação da base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique desde 09 de janeiro já afetaram 724.131 mil pessoas, o equivalente a 170.877 famílias, com registo de 27 mortos.
Neste período foram ainda registados 147 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.556 casas parcialmente destruídas, 428 totalmente destruídas e 166.806 inundadas.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
Desde o início da época das chuvas em Moçambique, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 211 mortos, além de 299 feridos e de 853.941 pessoas afetadas, segundo uma atualização feita pelo INGD.
De acordo com os dados, estão atualmente ativos 50 centros de acomodação, com 39.793 cidadãos. Foram afetadas, desde 09 de janeiro, 227 unidades sanitárias e 299 escolas, 14 pontes, 88 aquedutos e 3.783 quilómetros de estrada.
O registo do INGD aponta também para 440.892 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.783 agricultores, além da morte de 412.446 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Alemanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.