Mundo
Funerais começam em Newtown entre novas ameaças no Connecticut e em Los Angeles
As primeiras vítimas do massacre de sexta-feira na escola primária Sandy Hook da cidade de Newton foram hoje a enterrar durante a tarde. Noah Pozner e Jack Pinto tinham ambos seis anos e morreram baleados por Adam Lanza, que matou a tiro outras 18 crianças e seis adultos.
Os seus funerais realizaram-se às 12h00 e às 13h00 locais. Outras vítimas irão a enterrar na quarta e na sexta-feira.
Jack Pinto era fã de todos os desportos, especialmente de futebol americano. Noah Pozner, o mais novo dos mortos, tinha celebrado o seu sexto aniversário há apenas duas semanas.
Era um rapazinho risonho que tinha apenas de "bater as pestanas para conseguir tudo o que queria" de acordo com familiares. A sua irmã gémea sobreviveu ao ataque e nem ela nem os irmãos sabem ainda o que sucedeu. Em todos os Estados Unidos, as escolas abriram esta segunda-feira com medidas acrescidas de segurança.
E em pelo menos duas cidades de Connecticut, Redding e Ridgefield, as escolas foram encerradas pouco depois de abrirem devido a aparentes novas ameaças.
O rabi da família afirma que aconselhou a mãe de Noah a concentrar-se nos seus outros quatro filhos para ultrapassar a dor.
Muitas famílias de Newtown, no Estado norte-americano de Connecticut, dizem estar a ter muito cuidado ao abordar o assunto do tiroteio com os seus filhos, sobretudo os mais novos ou que perderam colegas.
A maioria das vítimas do massacre de sexta-feira tinha entre seis e sete anos.
Cidade em choque
Em Newtown, onde a maioria das decorações de Natal desapareceu das ruas, o dia foi tenso. A comunidade permanece em choque e muitos duvidam que consiga recuperar.
"A dor aqui é incrivel", afirmou à televisão CNN uma residente local, Darla Henggeler. "Não se consegue imaginar. Estamos ainda em choque. Não posso deixar o meu coração pensar nisto, é tão devastador," acrescentou.
Segunda-feira as escolas de Newtown mantinham-se fechadas. Para manter as crianças ocupadas com um tempo chuvoso, grupos de desporto organizaram um dia de atividades num campo coberto, incluindo práticas de atletismo, jogos de tabuleiro, artesanato e trabalhos oficinais. Participaram mais de cem crianças.
Debate relançado
O massacre abalou os Estados Unidos e colocou o país em estado de alerta. Relançou ainda o debate sobre a legislação de armamento, com dirigentes do partido Democrata a propor limites ao acesso às armas automáticas por parte da população civil.
Um homem foi detido em Los Angeles após ameaçar no Facebook realizar ataques em várias escolas primárias. A polícia deteve-o domingo e em sua casa encontrou várias armas.
Este foi o 13º massacre nos Estados Unidos só em 2012. Mas a idade da maioria das vítimas abalou as consciências.
"Nunca antes vimos os nossos bebés a serem massacrados. Isto nunca sucedeu na América, que eu me lembre, nunca vi este tipo de carnificina", afirmou o Senador democrata de West Viriginia, Joe Marchin, conhecido pelas suas ligações à indústria de armamento. "Isto mudou a nossa futura forma de agir", acrescentou.
A página de Facebook da poderosa National Rifle Association, que há duas semana celebrou 1,7 milhões de seguidores, mantinha-se encerrada desde sábado, assim como a sua conta na rede Twitter.
A população de Newtown poderá opor-se a leis mais severas do comércio de armas, já que a comunidade é adepta da caça e do livre uso e porte de arma. "Sinto-me insultado por ser considerado igual ao atirador apenas porque possuo armas. Não tenho nada a ver com ele", afirmou um residente de Newtown.
Em apenas três dias, uma petição no sítio de internet da Casa Branca recolheu 145.000 assinaturas a exigir ao Presidente que faça alguma coisa para controlar a circulação de armas.
Milhares de americanos discordam no entanto de um agravamento das leis de uso e posse arma de fogo e reafirmam pelo contrário a necessidade de cada cidadão ter e saber utilizar uma arma para auto-defesa.
Muitos outros defendem a presença de guardas armados nas escolas.
O quarto massacre de Obama
Os funerais das 26 vítimas seguem-se a uma visita do Presidente Barack Obama que, domingo, se reuniu com as famílias de Newtown, com palavras de esperança e de ação futura.
"Somos responsáveis por cada criança. É a nossa função principal. Se não a cumprimos como deve ser, não fazemos nada bem feito", afirmou Obama, que se mostrou abalado com o novo massacre, o quarto da sua presidência, após Tucson, Aurora, Oak Creek.
Obama sublinhou que esta foi a quarta vez que visitou uma comunidade desfeita por um tiroteio. "Temos de por fim a estas tragédias. E para isso temos de mudar", considerou o Presidente, sem contudo referir medidas concretas de controlo de armas.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney referiu esta tarde que o controlo das armas é apenas uma parte da resposta necessária para lidar com a violência nos Estados Unidos.
Percurso do assassino
Aos poucos sabe-se o que fez Adam Lanza na sexta-feira, embora provavelmente nunca se venha a perceber porque o fez.
A primeira vítima de Adam Lanza foi a própria mãe, Nancy, que colecionava armas e que ensinou ambos os filhos, Adam e Ryan, a disparar. As armas usadas no massacre de Sandy Hook estavam registadas no nome de Nancy Lanza.
O assassino, de 20 anos, matou Nancy em casa, com várias balas na cabeça. Dirigiu-se depois à escola, que tinha frequentado em criança. Consigo levava três armas, uma delas uma espingarda Bushmaster AR 15 rifle e duas pistolas, além de centenas de balas de grande calibre.
Apesar da porta da escola ter sido encerrada à chave às 09h30 como parte de recentes medidas de precaução, Lanza rebentou com a fechadura a tiro. Depois abateu a diretora da escola e a psicóloga, que acorreram à entrada para ver o que se passava. A diretora, Dawn Hochsprung, de 47 anos, morreu ao tentar deter Adam, segundo o testemunho de dois professores que ela mandou esconderem-se.
No carro de Lanza, encontrado perto da escola, a polícia descobriu ainda uma caçadeira. O atirador matou-se com um tiro na cabeça, aparentemente quando começou a ouvir as sirenes da polícia a aproximarem-se da escola. Escola poderá não reabrir
Numa conferência de imprensa esta tarde, a polícia de Newtown revelou que dois adultos feridos no tiroteio estão a revelar-se cruciais para entender o percurso de Adam Lanza após este entrar no edifício escolar, mas não revelou as suas identidades. A revelação dos resultados da investigação está a ser extremamente contida.
A escola primária onde ocorreu a tragédia irá para já permanecer encerrada, informaram entretanto as autoridades de Newtown. Os seus alunos estão para já dispensados de aulas e depois deverão recomeçar a escola em janeiro noutras instalações numa cidade próxima. A escola primária Sandy Hook, crivada de balas, poderá nunca mais reabrir.
"Penso que teremos de reentrar ao edifício algum dia. É assim que nos curamos. Não tem de ser de imediato mas eu não gostaria de desistir dele", afirmou um habitante de Newtown.
Jack Pinto era fã de todos os desportos, especialmente de futebol americano. Noah Pozner, o mais novo dos mortos, tinha celebrado o seu sexto aniversário há apenas duas semanas.
Era um rapazinho risonho que tinha apenas de "bater as pestanas para conseguir tudo o que queria" de acordo com familiares. A sua irmã gémea sobreviveu ao ataque e nem ela nem os irmãos sabem ainda o que sucedeu. Em todos os Estados Unidos, as escolas abriram esta segunda-feira com medidas acrescidas de segurança.
E em pelo menos duas cidades de Connecticut, Redding e Ridgefield, as escolas foram encerradas pouco depois de abrirem devido a aparentes novas ameaças.
O rabi da família afirma que aconselhou a mãe de Noah a concentrar-se nos seus outros quatro filhos para ultrapassar a dor.
Muitas famílias de Newtown, no Estado norte-americano de Connecticut, dizem estar a ter muito cuidado ao abordar o assunto do tiroteio com os seus filhos, sobretudo os mais novos ou que perderam colegas.
A maioria das vítimas do massacre de sexta-feira tinha entre seis e sete anos.
Cidade em choque
Em Newtown, onde a maioria das decorações de Natal desapareceu das ruas, o dia foi tenso. A comunidade permanece em choque e muitos duvidam que consiga recuperar.
"A dor aqui é incrivel", afirmou à televisão CNN uma residente local, Darla Henggeler. "Não se consegue imaginar. Estamos ainda em choque. Não posso deixar o meu coração pensar nisto, é tão devastador," acrescentou.
Segunda-feira as escolas de Newtown mantinham-se fechadas. Para manter as crianças ocupadas com um tempo chuvoso, grupos de desporto organizaram um dia de atividades num campo coberto, incluindo práticas de atletismo, jogos de tabuleiro, artesanato e trabalhos oficinais. Participaram mais de cem crianças.
Debate relançado
O massacre abalou os Estados Unidos e colocou o país em estado de alerta. Relançou ainda o debate sobre a legislação de armamento, com dirigentes do partido Democrata a propor limites ao acesso às armas automáticas por parte da população civil.
Um homem foi detido em Los Angeles após ameaçar no Facebook realizar ataques em várias escolas primárias. A polícia deteve-o domingo e em sua casa encontrou várias armas.
Este foi o 13º massacre nos Estados Unidos só em 2012. Mas a idade da maioria das vítimas abalou as consciências.
"Nunca antes vimos os nossos bebés a serem massacrados. Isto nunca sucedeu na América, que eu me lembre, nunca vi este tipo de carnificina", afirmou o Senador democrata de West Viriginia, Joe Marchin, conhecido pelas suas ligações à indústria de armamento. "Isto mudou a nossa futura forma de agir", acrescentou.
A página de Facebook da poderosa National Rifle Association, que há duas semana celebrou 1,7 milhões de seguidores, mantinha-se encerrada desde sábado, assim como a sua conta na rede Twitter.
A população de Newtown poderá opor-se a leis mais severas do comércio de armas, já que a comunidade é adepta da caça e do livre uso e porte de arma. "Sinto-me insultado por ser considerado igual ao atirador apenas porque possuo armas. Não tenho nada a ver com ele", afirmou um residente de Newtown.
Em apenas três dias, uma petição no sítio de internet da Casa Branca recolheu 145.000 assinaturas a exigir ao Presidente que faça alguma coisa para controlar a circulação de armas.
Milhares de americanos discordam no entanto de um agravamento das leis de uso e posse arma de fogo e reafirmam pelo contrário a necessidade de cada cidadão ter e saber utilizar uma arma para auto-defesa.
Muitos outros defendem a presença de guardas armados nas escolas.
O quarto massacre de Obama
Os funerais das 26 vítimas seguem-se a uma visita do Presidente Barack Obama que, domingo, se reuniu com as famílias de Newtown, com palavras de esperança e de ação futura.
"Somos responsáveis por cada criança. É a nossa função principal. Se não a cumprimos como deve ser, não fazemos nada bem feito", afirmou Obama, que se mostrou abalado com o novo massacre, o quarto da sua presidência, após Tucson, Aurora, Oak Creek.
Obama sublinhou que esta foi a quarta vez que visitou uma comunidade desfeita por um tiroteio. "Temos de por fim a estas tragédias. E para isso temos de mudar", considerou o Presidente, sem contudo referir medidas concretas de controlo de armas.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney referiu esta tarde que o controlo das armas é apenas uma parte da resposta necessária para lidar com a violência nos Estados Unidos.
Percurso do assassino
Aos poucos sabe-se o que fez Adam Lanza na sexta-feira, embora provavelmente nunca se venha a perceber porque o fez.
A primeira vítima de Adam Lanza foi a própria mãe, Nancy, que colecionava armas e que ensinou ambos os filhos, Adam e Ryan, a disparar. As armas usadas no massacre de Sandy Hook estavam registadas no nome de Nancy Lanza.
O assassino, de 20 anos, matou Nancy em casa, com várias balas na cabeça. Dirigiu-se depois à escola, que tinha frequentado em criança. Consigo levava três armas, uma delas uma espingarda Bushmaster AR 15 rifle e duas pistolas, além de centenas de balas de grande calibre.
Apesar da porta da escola ter sido encerrada à chave às 09h30 como parte de recentes medidas de precaução, Lanza rebentou com a fechadura a tiro. Depois abateu a diretora da escola e a psicóloga, que acorreram à entrada para ver o que se passava. A diretora, Dawn Hochsprung, de 47 anos, morreu ao tentar deter Adam, segundo o testemunho de dois professores que ela mandou esconderem-se.
No carro de Lanza, encontrado perto da escola, a polícia descobriu ainda uma caçadeira. O atirador matou-se com um tiro na cabeça, aparentemente quando começou a ouvir as sirenes da polícia a aproximarem-se da escola. Escola poderá não reabrir
Numa conferência de imprensa esta tarde, a polícia de Newtown revelou que dois adultos feridos no tiroteio estão a revelar-se cruciais para entender o percurso de Adam Lanza após este entrar no edifício escolar, mas não revelou as suas identidades. A revelação dos resultados da investigação está a ser extremamente contida.
A escola primária onde ocorreu a tragédia irá para já permanecer encerrada, informaram entretanto as autoridades de Newtown. Os seus alunos estão para já dispensados de aulas e depois deverão recomeçar a escola em janeiro noutras instalações numa cidade próxima. A escola primária Sandy Hook, crivada de balas, poderá nunca mais reabrir.
"Penso que teremos de reentrar ao edifício algum dia. É assim que nos curamos. Não tem de ser de imediato mas eu não gostaria de desistir dele", afirmou um habitante de Newtown.