Funeral de Arafat quinta-feira e enterro sexta, diz secreta israelita
O chefe dos serviços secretos israelitas, Avi Dichter, disse perante que o funeral de Yasser Arafat deverá realizar-se quinta-feira no Cairo e o enterro sexta-feira em Ramallah.
Um acordo entre Israel e os palestinianos para o enterro do presidente palestiniano na Mukata, o quartel-general da Autoridade Palestiniana, em Ramallah, foi hoje oficialmente anunciado pelo ministro palestiniano encarregado das negociações de paz, Saeb Erakat.
Pouco depois, o porta-voz da presidência egípcia anunciou que o funeral de Arafat será realizado no Egipto, na sequência de um acordo entre os mais altos responsáveis egípcios e palestinianos.
As agências internacionais noticiaram entretanto que várias escavadoras palestinianas entraram na Mukata - grande parte da qual foi destruída ao longo dos anos pelos bombardeamentos israelitas -, aparentemente para preparar o local para o enterro de Yasser Arafat.
Na reunião do gabinete de segurança do governo israelita, o primeiro-ministro, Ariel Sharon, disse esperar "o início de uma nova era no Médio Oriente", dependendo esta, frisou, de "os palestinianos porem termo ao terrorismo e ao incitamento à violência".
Esta é a primeira vez que Sharon se refere publicamente à crise palestiniana suscitada pelo agravamento da saúde de Yasser Arafat, embora continue sem mencionar expressamente o presidente palestiniano.
Também no âmbito dos preparativos para a morte do líder palestiniano, que se prevê seja anunciada em breve, o secretário da presidência palestiniana, Tayeb Abdelrahim, anunciou que a presidência interina da Autoridade Palestiniana será assegurada pelo presidente do Conselho Legislativo (parlamento), Rauhi Fattuh.
"O presidente do parlamento palestiniano será o presidente da Autoridade Palestiniana por um período de 60 dias, em conformidade com a lei", disse.
Este responsável confirmou também as informações avançadas pela presidência egípcia a propósito da realização do funeral do líder palestiniano no Egipto.
Depois de o governo israelita ter autorizado o enterro em Ramallah e responsabilizado a Autoridade Palestiniana pela manutenção da ordem e da segurança na cidade, 13 organizações palestinianas apelaram hoje aos palestinianos para que não disparem tiros para o ar quando do anúncio da morte de Arafat.
Segundo um dirigente da Jihad Islâmica, Khaled al-Batch, os representantes das organizações palestinianas "acordaram em dar mostras de contenção e apelam ao povo palestiniano para que não dispare tiros para o ar e não incendeie pneus nas ruas".
As organizações apelam também à população para que "não bloqueie as ruas nem ataque propriedades públicas ou privadas e para que aja de maneira responsável", acrescentou.
Este apelo foi acordado numa reunião de emergência realizada terça-feira à noite em Gaza, para discutir os preparativos para a morte de Yasser Arafat, na sequência do anúncio de um agravamento súbito do seu estado de saúde.