Mundo
Funeral de John McCain sem Trump
As cerimónias fúnebres do senador norte-americano John McCain estão marcadas para o próximo sábado, em Washington. A Casa Branca deverá ser representada pelo vice-presidente, de acordo com vontade expressa pelo próprio McCain. Está prevista uma semana de homenagens ao senador republicano.
Se for respeitada a vontade do senador, o Presidente Donald Trump não irá participar na cerimónia. A Casa Branca vai ser representada pelo vice-presidente Mike Pence, seguindo a vontade de John McCain, tornada pública em maio pelos meios de comunicação norte-americanos.
John McCain planeou o próprio funeral, com a família, durante os últimos meses. No seu túmulo deverá ler-se: “Serviu o seu país”.
“Vivi grandes paixões, vi maravilhas. Travei guerras e contribui para a paz. Ocupei um pequeno lugar na história da América e na história da minha época”, John McCain
O corpo será sepultado domingo, numa cerimónia reservada à família, no cemitério da Academia Naval de Annapolis, onde fez a formação de aviador naval.
O programa de cerimónias inclui vários dias de homenagem, no Arizona e em Washington.
A urna vai ser levada quarta-feira para o Capitólio do Arizona, Estado que representou durante 35 anos no Congresso. A primeira cerimónia fúnebre terá lugar numa igreja Baptista local.
Foram colocadas flores frente à residência oficial em Phoenix, bem como em frente à casa funerária. “Queremos prestar homenagem a um grande patriota americano, um grande herói americano”, disse Michael Wilson, uma das pessoas que ali se deslocaram, à agência France-Presse.
O caixão será depois transportado para Washington, onde será colocado na Rotunda do Capitólio. Esta é uma honra reservada às maiores figuras da história norte-americana.
As cerimónias fúnebres vão decorrer sábado na Catedral Nacional, em Washington, e devem contar com a presença de vários dignatários americanos e estrangeiros. Os antigos presidentes Barack Obama e George Bush devem fazer os elogios fúnebres, também de acordo com a vontade de John McCain.
Os republicanos ficam temporariamente com menos um elemento no Senado, 50 senadores, contra 49 democratas. O governador do Arizona vai nomear o sucessor de John McCain após o funeral.
Trump envia condolências à família
No domingo, o Presidente norte-americano expressou, através de uma mensagem no Twitter, “as mais sentidas condolências e respeito à família do senador John McCain”.
Trump rompe com o protocolo seguido pelos presidentes dos Estados Unidos que enviam à comunicação social uma nota em que são destacadas as realizações e conquistas de personalidades proeminentes após a sua morte.
De acordo com o jornal The Washington Post, Trump terá mesmo recusado divulgar um comunicado já preparado em que o senador era chamado de “herói”, ao contrário do que defendiam a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, e o chefe de gabinete, John Kelly.
Trump e McCain tinham uma relação conflituosa. Em 2016, McCain tinha anunciado que não iria votar no candidato republicano e não escondia o desdém que sentia pelo atual presidente.
Rebelde e figura não consensual
O senador John McCain morreu no sábado, quatro dias antes de completar 82 anos, após 13 meses de luta contra um cancro no cérebro. Estava no seu rancho de Sedona, Estado do Arizona, junto da segunda mulher, Cindy, e dos sete filhos, dias depois de ter decidido parar os tratamentos.
Rebelde e figura não consensual
O senador John McCain morreu no sábado, quatro dias antes de completar 82 anos, após 13 meses de luta contra um cancro no cérebro. Estava no seu rancho de Sedona, Estado do Arizona, junto da segunda mulher, Cindy, e dos sete filhos, dias depois de ter decidido parar os tratamentos.
Filho e neto de almirantes, John McCain serviu os Estados Unidos durante toda a vida. Primeiro como aviador naval. Em 1967 sobrevoava Hanói quando o avião foi abatido. Foi feito prisioneiro de guerra durante cinco anos e meio no Vietname, onde era frequentemente torturado. Durante a maior parte desde período, o pai comandava todas as forças americanas no Pacífico.
Aposentou-se como capitão da Marinha em 1981 e regressou ao Arizona natal. No ano seguinte era eleito para a Câmara dos Representantes. Foi eleito cinco vezes para o Senado norte-americano.
O herói de guerra tentou por duas vezes ser Presidente dos Estados Unidos. Em 2000, perdeu a nomeação republicana para George W. Bush. Em 2008, com Sarah Palin como “número dois” e então com 72 anos, McCain perdeu as eleições presidenciais para Barack Obama, num contexto económico difícil para os republicanos.
Numa ação de campanha rejeitou tirar proveito da acusação de uma mulher que justificava não gostar de Obama por este ser “muçulmano”. McCain respondeu: “Não senhora. Obama é um homem de família decente, um cidadão de quem, por acaso, discordo em assuntos fundamentais”.
McCain conseguiu 46 por cento dos votos e 173 lugares no Colégio Eleitoral; Obama ganhou com 53 por cento dos votos e 365 lugares.
Apesar de conservador, McCain tinha a reputação de rebelde por se opor, mesmo dentro do Partido Republicano, aos seus correligionários. Era também conhecido por ter um temperamento explosivo e estava longe de ser considerado uma figura consensual.
Poucos dias depois de conhecer o diagnóstico, em julho de 2017, McCain atrasou o início do tratamento para votar, juntamente com outros dois republicanos, contra a revogação do Obamacare, do ex-Presidente norte-americano Barack Obama, contrariando os planos do atual líder da Casa Branca, Donald Trump, que queria pôr fim à reforma na Saúde implementada pelo antecessor.
“Patriota” e um “símbolo da sua geração”
John McCain foi determinante para a reposição dos laços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Vietname comunista. Por esse motivo, muitos cidadãos acorrem à embaixada americana em Hanói. No livro de condolências, o ministro vietnamita dos Negócios Estrangeiros escreveu que o senador foi “um símbolo da sua geração” que ajudou “a curar as feridas da guerra.
O antigo presidente Bill Clinton lembrou o papel de McCain na normalização das relações com o Vietname. McCain facilmente “punha de lado partidarismos para fazer o que considerava melhor para o país”, escreveu Clinton.
Para o democrata Jimmy Carter, outro antigo chefe de Estado, “John McCain era um homem de honra, um verdadeiro patriota no melhor sentido da palavra. Os americanos vão estar sempre gratos pelo seu serviço militar heroico e pela integridade firme enquanto membro do Senado dos Estados Unidos.
As mensagens de condolências que chegam de todo o mundo apelidam John McCain de “patriota”, ”herói”, “combatente” e “não conformista”.
O Presidente da República francês Emmanuel Macron considera John McCain “um verdadeiro herói americano. Devotou toda a sua vida ao seu país. A sua voz vai fazer falta”.
Já a primeira-ministra britânica apelida McCain de “um grande estadista que incorporava a ideia do serviço antes de si mesmo”. “Foi uma grande honra chamar-lhe amigo do Reino Unido”, reagiu Teresa May à morte de John Mccain.
John McCain foi determinante para a reposição dos laços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Vietname comunista. Por esse motivo, muitos cidadãos acorrem à embaixada americana em Hanói. No livro de condolências, o ministro vietnamita dos Negócios Estrangeiros escreveu que o senador foi “um símbolo da sua geração” que ajudou “a curar as feridas da guerra.
O antigo presidente Bill Clinton lembrou o papel de McCain na normalização das relações com o Vietname. McCain facilmente “punha de lado partidarismos para fazer o que considerava melhor para o país”, escreveu Clinton.
Para o democrata Jimmy Carter, outro antigo chefe de Estado, “John McCain era um homem de honra, um verdadeiro patriota no melhor sentido da palavra. Os americanos vão estar sempre gratos pelo seu serviço militar heroico e pela integridade firme enquanto membro do Senado dos Estados Unidos.
As mensagens de condolências que chegam de todo o mundo apelidam John McCain de “patriota”, ”herói”, “combatente” e “não conformista”.
O Presidente da República francês Emmanuel Macron considera John McCain “um verdadeiro herói americano. Devotou toda a sua vida ao seu país. A sua voz vai fazer falta”.
Já a primeira-ministra britânica apelida McCain de “um grande estadista que incorporava a ideia do serviço antes de si mesmo”. “Foi uma grande honra chamar-lhe amigo do Reino Unido”, reagiu Teresa May à morte de John Mccain.
Também a chanceler alemã lamentou a morte do senador. “John McCain era guiado pela firme convicção de que todo o trabalho político podia ser encontrado a servir a liberdade, a democracia e o estado de Direito. A sua morte é uma perda para todos os que partilham tal convicção”, comentou Angela Merkel.
O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considera que partiu um “soldado e senador, americano e atlantista. Vai ser lembrado tanto na Europa e Estados Unidos pela sua coragem e caráter, e como forte apoiante da NATO”.
A sua antiga companheira de corrida presidencial Sarah Palin apelidou John McCain de “rebelde e lutador, (que) nunca teve medo de defender as suas convicções”. “John nunca seguiu o caminho fácil na vida e através do sacrifício e sofrimento inspirou os outros a servir algo maior”.