Futebol americano. Um em cada quatro ex-jogadores com lesão cerebral incurável

Futebol americano. Um em cada quatro ex-jogadores com lesão cerebral incurável

Uma investigação publicada no British Medical Journal (BMJ) revela a prevalência da encefalopatia traumática cronica (ETC). Uma doença cerebral degenerativa que só pode ser diagnosticada após a morte. Foram analisados 235 tecidos cerebrais de ex-atletas que morreram entre 2016 e 2021. Em 215 dos casos (91,4 por cento) os exames post mortem confirmaram a presença de encefalopatia traumática crónica.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: via Reuters

O estudo, liderado pelo neurologista norte-americano Daniel Daneshvar, da Universidade de Harvard, alimenta o debate sobre os efeitos de repetidos impactos na cabeça a que estão expostos os jogadores de futebol americano.

"Demonstramos que, especificamente entre os jogadores da NFL, a taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas é cerca de quatro vezes maior do que na população em geral", assegura Daniel Daneshvar. 

As conclusões da investigação demonstram ainda que "os jogadores da NFL apresentam uma prevalência de ETC no momento da morte superior àquela demonstrada anteriormente em diversos estudos de base populacional." "A maior parte dos impactos na cabeça sofridos por esses ex-jogadores da NFL não ocorreu no nível profissional da liga", afirma o principal autor da investigação.

Os impactos "ocorreram no nível universitário, no ensino secundário e, em muitos casos, nas categorias” mais jovens. “Todos esses impactos acumulados na cabeça aumentam o risco” de desenvolver encefalopatia traumática crónica (ETC), doença cerebral degenerativa.

Feitas as análises aos tecidos cerebrais doados, os investigadores calcularam uma prevalência "mínima" de ETC de 24,5 por cento entre os jogadores que faleceram no período de 2016 a 2021, chegando a um "máximo" de 97,7 por cento.

Confrontado com estes valores, um porta-voz da NFL garante que a liga “trabalha continuamente para tornar o futebol americano mais seguro através, por exemplo, de estratégias para reduzir concussões e impactos na cabeça.

A CTE entre jogadores de futebol americano tem sido uma questão crescente. Um acordo coletivo de trabalho da NFL, de 2011, limitou o número de treinos com contato físico.

PUB