Mundo
Guerra no Médio Oriente
Futuro Estado palestiniano. "Não" de Netanyahu agrava desafinação entre Israel e Estados Unidos
Estados Unidos e Israel voltaram a deixar patente, nas últimas horas, a divergência entre aliados quanto aos cenários para o pós-guerra na Faixa de Gaza. De Washington saiu nova afirmação de que só a instituição de um futuro Estado palestiniano acautela a segurança a longo prazo do Estado hebraico. Mas o primeiro-ministro israelita tratou de deixar claro que “o controlo da segurança” deve pertencer a Israel, batendo assim com a porta, na prática, a qualquer ideia de soberania palestiniana.
“Israel deve ter o controlo da segurança sobre a totalidade do território situado a oeste do Jordão. Trata-se de uma condição necessária, que está em contradição com a ideia de soberania”, frisou na última noite Benjamin Netanyahu, referindo-se ao cenário de um Estado palestiniano.
“Um primeiro-ministro israelita deve ser capaz de dizer não, mesmo aos nossos melhores amigos. Dizer não quando é necessário e dizer sim quando tal é possível”, reforçou o governante, que garantiu ter feito chegar esta posição à Casa Branca. Esta diferença de perspetiva entre Washington e Telavive não é recente. Mas tem-se exacerbado com o arrastar da contraofensiva israelita na Faixa de Gaza, na sequência do ataque desencadeado a 7 de outubro pelo movimento radical palestiniano Hamas.
“Nós vemos evidentemente as coisas de forma diferente”, reconheceu, por sua vez, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby, quando questionado sobre o posicionamento de Benjamin Netanyahu.
Em tom análogo, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Mathew Miller, sustentou que “não há forma” de resolver o conflito israelo-palestiniano, ou, a curto prazo, a reconstrução da Faixa de Gaza, sem o estabelecimento da Palestina enquanto Estado a coabitar a região com Israel.Netanyahu quis propugnar, na noite de quinta-feira, que a ausência de completa soberania palestiniana não deve implicar colocar uma pedra sobre os esforços de normalização de relações entre Israel e Estados árabes.
“Israel tem uma oportunidade histórica de ultrapassar os desafios com os quais é confrontado desde a sua fundação e esperamos que o país a aproveite”, acentuou Miller.
Na passada quarta-feira, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, fora já a vez de o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, reiterar o apelo a uma “via para um Estado palestiniano”, sem o qual “será impossível obter uma verdadeira segurança”.
A guerra na Faixa de Gaza - que ameaça propagar-se, com as tensões no Mar Vermelho e as recentes operações militares do Irão e consequente retaliação do Paquistão - provocou já 24.620 mortos e mais de 61.800 feridos, a maioria civis, e quase 1,9 milhões de deslocados.
c/ AFP e Reuters
“Um primeiro-ministro israelita deve ser capaz de dizer não, mesmo aos nossos melhores amigos. Dizer não quando é necessário e dizer sim quando tal é possível”, reforçou o governante, que garantiu ter feito chegar esta posição à Casa Branca. Esta diferença de perspetiva entre Washington e Telavive não é recente. Mas tem-se exacerbado com o arrastar da contraofensiva israelita na Faixa de Gaza, na sequência do ataque desencadeado a 7 de outubro pelo movimento radical palestiniano Hamas.
“Nós vemos evidentemente as coisas de forma diferente”, reconheceu, por sua vez, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kirby, quando questionado sobre o posicionamento de Benjamin Netanyahu.
Em tom análogo, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Mathew Miller, sustentou que “não há forma” de resolver o conflito israelo-palestiniano, ou, a curto prazo, a reconstrução da Faixa de Gaza, sem o estabelecimento da Palestina enquanto Estado a coabitar a região com Israel.Netanyahu quis propugnar, na noite de quinta-feira, que a ausência de completa soberania palestiniana não deve implicar colocar uma pedra sobre os esforços de normalização de relações entre Israel e Estados árabes.
“Israel tem uma oportunidade histórica de ultrapassar os desafios com os quais é confrontado desde a sua fundação e esperamos que o país a aproveite”, acentuou Miller.
Na passada quarta-feira, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, fora já a vez de o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, reiterar o apelo a uma “via para um Estado palestiniano”, sem o qual “será impossível obter uma verdadeira segurança”.
A guerra na Faixa de Gaza - que ameaça propagar-se, com as tensões no Mar Vermelho e as recentes operações militares do Irão e consequente retaliação do Paquistão - provocou já 24.620 mortos e mais de 61.800 feridos, a maioria civis, e quase 1,9 milhões de deslocados.
c/ AFP e Reuters