Gabinete de Informação Financeira diz que atacantes recebem financiamento via eletrónica

Um responsável do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (Gifim) indicou que grupos armados que protagonizam uma onda de violência em Cabo Delgado receberam ajuda financeira via eletrónica, defendendo uma maior proteção dos sistemas de pagamento no país.

Lusa /

"Há estudos que demonstraram que o terrorismo em Cabo Delgado também é financiado através de meios eletrónicos, como o Mpesa [serviço financeiro móvel de muita adesão em Moçambique]", disse o diretor-geral do Gifim, entidade estatal, Armindo Ubisse.

Ubisse referiu o recurso aos meios de pagamento eletrónico no financiamento à violência em Cabo Delgado, norte de Moçambique, quando falava sobre o tema "Branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo", um evento promovido hoje em Maputo pelo banco moçambicano Millennium Bim.

Assinalando que o país tem avançado na massificação do uso de plataformas eletrónicas para transações financeiras, o diretor do Gifim defendeu que o Estado e o setor privado devem trabalhar conjuntamente para proteger o sistema financeiro do crime organizado e do terrorismo.

"É necessário encontrar um equilíbrio entre a aposta na inclusão financeira e o combate ao branqueamento de capitais e ao terrorismo", declarou Armindo Ubisse.

Pelo menos 200 pessoas terão morrido vítimas de violência protagonizada por grupos armados em aldeias isoladas de distritos da província de Cabo Delgado.

Nalgumas ocasiões, a violência já atingiu transportes na principal estrada asfaltada da região, bem como a área dos megaprojetos de exploração de gás.

Na semana passada, o grupo `jihadista` Estado Islâmico (EI) reivindicou mais um ataque armado a um posto militar na província de Cabo Delgado, e em que morreram pelo menos 10 pessoas, segundo mensagem difundida através da aplicação Telegram.

O grupo EI reivindicou pela primeira vez a 04 de junho uma ação no Norte de Moçambique, região afetada desde outubro de 2017 por ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas da região e que eclodiram em Mocímboa da Praia.

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