Galloway convidado a explicar-se no Congresso EUA

O deputado britânico George Galloway, acusado de ter recebido subornos do regime do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein graças ao programa "Petróleo por alimentos", foi convidado a temunhar sob juramento no Congresso norte-americano.

Agência LUSA /
DR

Uma subcomissão do Senado presidida pelo republicano Norm Coleman, que divulgou quinta-feira elementos contra Galloway, convidou- o por escrito a testemunhar durante uma audição que visa "examinar como é que Saddam Hussein utilizou vales de petróleo bruto para recompensar responsáveis políticos" numa carta tornada pública.

Galloway é acusado pelo Senado norte-americano de ter recebido 20 milhões de títulos de compra de barris de petróleo, o que nega com veemência.

"Vou repetir pela 500/a vez: não vi nenhum barril de petróleo, não recebi suborno algum em troca de um barril de petróleo e nunca comprei, vendi ou troquei nenhum, e ninguém o fez em meu nome", garantiu Galloway, em declarações quarta-feira à televisão pública britânica BBC.

Galloway é avisado neste correio do Senado norte-americano que qualquer testemunho deve ser feito sob juramento, uma advertência implícita contra um eventual falso testemunho, um delito passível nos Estados Unidos de pena de prisão, sublinhou fonte parlamentar.

O deputado, um dissidente do partido trabalhista de Tony Blair ferozmente contrário à guerra no Iraque, declarou-se quinta-feira pronto a "enfrentar o comité Joe MCcarthy, uma referência irónica à caça às bruxas anti-comunista conduzida por este antigo senador no início da Guerra Fria.

Franco-atirador da política, Galloway sempre se salientou em Westminster pelo seu bronzeado e verbo fácil, mas foi a sua "proximidade" com Saddam Hussein que o marcou, valendo-lhe a alcunha de "deputado do círculo de Bagdad centro".

Opositor da política britânica para a Irlanda, manifestante anti-nuclear, anti-privatização, anti-globalização, é hoje, sobretudo, anti-Blair.

Para ele, o chefe do governo britânico é "farinha do mesmo saco" que o presidente zimbabueano, Robert Mugabe, e o seu aparelho de comunicação nada terá a invejar à máquina de propaganda de Goebbels (o ministro da Propaganda nazi).

Opositor de sempre à guerra no Iraque, George Galloway não é mais do que o porta-voz do ex-ditador, acusam os seus adversários.

Excluído do Partido Trabalhista em Outubro de 2003, Galloway foi reeleito deputado na passada quinta-feira pelo partido Respect.

A subcomissão do Senado precisou que o Departamento de Estado norte-americano foi instado a facilitar a solução de eventuais problemas de visto que possam pôr em causa a vinda de Galloway.

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