Gases com efeito de estufa alteram composição química dos mares

Lisboa, 04 Jul (Lusa) - As emissões de gases com efeito de estufa não só contribuem para o aquecimento global como estão a alterar a composição química dos mares, indica um estudo de cientistas norte-americanos hoje publicado na revista Science.

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As consequências ecológicas e económicas são difíceis de prever, mas possivelmente serão desastrosas, segundo os autores do estudo, investigadores do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution e da Universidade do Hawai.

Os cientistas consideram provável que essas consequências tornem necessário aprofundar as medidas já tomadas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2).

Ken Caldeira, da Carnegie Institution, e Richard Zeebe, da Universidade do Hawai, afirmam que os oceanos já absorveram cerca de 40 por cento do dióxido de carbono que o homem gerou nos últimos dois séculos.

Essa absorção de CO2 desacelerou o aquecimento global, mas o seu custo é demasiado elevado, assinalam os cientistas.

Esse maior conteúdo de CO2 alterou a acidificação das águas marinhas, um efeito que poderá aumentar durante este século.

A acidificação pode causar graves danos aos organismos marinhos, como os corais e o plâncton, ao travar o processo de calcificação dos seus exoesqueletos, referem os cientistas.

Além disso, a maior parte dos organismos marinhos vive em águas que recebem a luz do Sol e é por isso mais vulnerável à acidificação causada pelo CO2.

Segundo os cientistas, embora a reacção química do mar aos maiores níveis de CO2 seja previsível, é muito mais difícil estabelecer com alguma precisão qual será a reacção biológica.

"Sabemos que a acidificação oceânica danificará os corais e outros organismos, mas não há dados experimentais sobre como será afectada a maioria das espécies", disse Ken Caldeira.

No entanto, salientou que os resultados de experiências de laboratório com algumas espécies foram "alarmantes".

"Serão seguramente afectados moluscos como as ostras e os mexilhões, o que terá um grande impacto na indústria", afirmou.

"É possível que proliferem outros organismos nessas condições, mas poderão ser espécies não desejáveis", concluiu.

CM


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