George W. Bush "é sempre bem-vindo a Portugal"
O chefe do Governo de Lisboa falava a jornalistas depois de assistir ao encerramento de uma exposição sobre os Descobrimentos portugueses na capital norte-americana, no primeiro dia da sua visita oficial aos EUA, que termina segunda-feira com um encontro com o presidente norte-americano, George W. Bush, na Casa Branca.
Questionado sobre as relações com a Administração norte-americana, de quem divergiu, enquanto na oposição aos Governos PSD-CDS/PP, quanto à intervenção no Iraque, em 2003, o agora primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou: "Os EUA são um país amigo, o presidente Bush é sempre bem-vindo a Portugal".
A única vez em que o actual presidente dos EUA esteve em território português foi em 2003 para participar, juntamente com os então líderes dos governos de Portugal (Durão Barroso), do Reino Unido (Tony Blair) e de Espanha (José Maria Aznar), na chamada "Cimeira das Lajes", nos Açores, que desencadeou a intervenção militar no Iraque.
José Sócrates salientou ainda que as relações transatlânticas "estão no topo da agenda da União Europeia e de Portugal".
"A relação transatlântica esta sempre no topo da agenda da UE e de Portugal e é essencial para os Direitos do Homem e para a democracia no Mundo", afirmou Sócrates.
Na dupla qualidade de primeiro-ministro português e de presidente em exercício da União Europeia (UE), José Sócrates chegou hoje a meio da tarde a Washington para uma visita de dois dias aos EUA.
Hoje, Sócrates, acompanhado pelos ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e da Cultura, Isabel Pires de Lima, participou no encerramento de uma exposição sobre os Descobrimentos portugueses na capital norte-americana, intitulada "Abraçando o globo: Portugal e o mundo nos séculos XVI e XVII", que está patente desde Junho em duas galerias do Smithsonian Institution.
O chefe do Governo português visitou a exposição, que foi inaugurada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, na sua última visita aos Estados Unidos (em Junho), e que é considerada a maior de sempre no Smithsonian, integrando pinturas, manuscritos, mapas, primeiras impressões, sedas e diversos objectos deixados pelos portugueses em zonas como o Brasil, China, Japão e Índia ao longo do período de expansão ultramarina.
A exposição, que até hoje já recebeu a visita de mais de 300 mil pessoas, custou cerca de 4,8 milhões de dólares (3,47 milhões de euros) - verba que integra um investimento do Ministério da Cultura na ordem dos 500 mil euros.
Segunda-feira, na Casa Branca, José Sócrates terá um encontro de cerca de 50 minutos com o presidente George W. Bush.
Durante o encontro, além de debaterem questões bilaterais (como a presença portuguesa na NATO), Sócrates e Bush tentarão aproximar as posições dos Estados Unidos e da União Europeia em relação ao processo de paz no Médio Oriente, ao estatuto futuro da província sérvia do Kosovo e ao relançamento das relações transatlânticas.
De acordo com fonte do Governo português, o presidente em exercício da UE e o chefe de Estado norte-americano deverão ainda discutir as vias políticas para impulsionar a diversificação energética, tendo em vista a redução da dependência do petróleo.