George W. Bush vai substituir Colin Powell por Condoleezza Rice
O presidente norte-americano vai nomear a sua conselheira para a segurança nacional, Condoleezza Rice, 50 anos, para a liderança da diplomacia norte-americana.
Além disso, o presidente norte-americano deverá nomear o adjunto de Rice, Stephen Hadely, para o cargo de conselheiro para a segurança nacional, que é um dos conselheiros mais próximos do presidente, indicaram as mesmas fontes.
O secretário de Estado Colin Powell, 67 anos, apresentou segunda- feira a sua demissão depois de quatro anos passados à frente da diplomacia norte-americana.
Washington tem entre mãos vários dossiers quentes com a guerra no Iraque e os novos dados no Médio Oriente depois da morte do líder palestiniano Yasser Arafat, na passada semana.
Condoleezza Rice, uma amiga e conselheira - Perfil
A nova secretária de Estado norte- americana, Condoleezza Rice, que vai substituir o demissionário Colin Powell, é não só uma conselheira muito ouvida por George W. Bush como uma amiga pessoal que o segue por todo o lado.
As suas relações são tão próximas que uma vez, num jantar em Washington, referiu-se ao presidente como "meu marido", antes de emendar.
George W. Bush, por seu lado, trata-a afectuosamente por "Condi" e não hesita em passar-lhe as mãos pelos ombros em público.
Nascida a 14 de Novembro de 1954 no seio de uma família da burguesia média negra do Sul, esta mulher solteira, elegante, que veste bem e se arranja cuidadosamente, e que domingo festejou o 50º aniversário, é conselheira para a Segurança Nacional de George W.Bush desde o início do primeiro mandato do presidente Bush.
Dadas as funções que exerce, dirigiu o Conselho Nacional de Segurança (NSC, na sigla inglesa), um organismo criado em 1947 para coordenar as relações entre a Casa Branca, o Departamento de Estado, o Departamento de Defesa e os serviços de informação.
Primeira mulher a exercer aquele cargo de segurança, Condoleezza Rice viu-se confrontada com circunstâncias excepcionais, como os atentados de 11 de Setembro de 2001 e a guerra contra o Iraque.
Considerada como uma conservadora fria e enérgica, teve no entanto algumas dificuldades em conseguir gerir o ego dos peso- pesados da primeira administração Bush, casos de Colin Powell, a quem vai agora substituir, e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.
A demissão estrondosa de Richard Clarke, membro do NSC encarregado do antiterrorismo, em Fevereiro de 2003, seguida da publicação de um livro acusando a administração Bush de ter negligenciado a ameaça que a Al-Qaida constituía, são pontos negros no balanço que se faz de Condoleezza Rice à frente do Conselho Nacional de Segurança.
As revelações contidas no livro e a demissão de Clarke fizeram- na passar maus bocados numa audição perante a comissão de inquérito independente que investigou os atentados de 11 de Setembro de 2001.
Inicialmente tinha-se recusado a comparecer perante a comissão, invocando a separação dos poderes legislativo e executivo e os riscos para a confidencialidade das relações entre o presidente e os seus principais conselheiros, mas acabou por aceitar, cedendo à pressão da opinião pública.
A diplomacia não é o único campo de especializaç desta mulher que foi professora universitária e mais tarde número dois da Universidade de satanford, na Califórnia.
Pianista de renome, toca em público sem qualquer receio com os nomes mais conhecidos da música clássica, como o violoncelsta Yo-Yo Ma.
O seu nome, aliás, foi inventado pela sua mãe, uma professora de música, inspirando-se no "con dolcezza - com doçura".
Na infância, que descreve como tendo sido feliz na zona burguesa negra de Birmingham (Alabama), "Condi" assistiu aos violentos motins que marcaram a luta pelos direitos civis dos negros.
Perita em assuntos da União Soviética (fala russo fluentemente), foi graças a esta qualificação que entrou no NSC, durante a presidência de George Bush (1989-1993), pai do actual presidente.
Durante a campanha eleitoral para a presidência, em 2000, George W. Bush tinha-a convidado para conselheira diplomática.