Geórgia retira da Ossétia do Sul mas Rússia mantém operação

A Geórgia anunciou um cessar-fogo e retirou as tropas da região separatista. Os militares russos passaram a controlar a capital, Tskhinvali. Moscovo exige uma retirada incondicional e exige um compromisso de não agressão da Geórgia à Ossétia do Sul.

Alexandre Brito, RTP /
Tropas russas a caminho da capital da Ossétia do Sul Zurab kurtsikidze, EPA

Os combates na Ossétia do Sul acalmaram após a retirada das tropas da Geórgia da região.

Em declarações à BBC, residentes afirmaram que Tskhinvali 'acordou' relativamente calma, sendo que ao redor da capital ainda havia combates esporádicos.

A ordem de cessar-fogo foi assinada pelo presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, às 5 da manhã locais. Ao mesmo tempo, as autoridades do país expressaram a vontade de se iniciar imediatamente negociações com a Rússia para ser colocado um fim nas hostilidades.

Moscovo respondeu exigindo uma retirada incondicional e um compromisso de não agressão à Ossétia do Sul.

Três dias de batalha

Após o início do conflito, com as tropas da Geórgia a atacaram a capital da Ossétia do Sul, a Rússia reagiu com o envio de militares para a região, que recuperaram o controlo total da capital este domingo.

“A cidade está controlada pelas forças de paz russas”, disse o coronel-general Anatoly Nogovitsyn.

A Rússia enviou tropas e tanques que entraram na Ossétia do Sul e bombardearam vários alvos georgianos espalhados pelo país.

As autoridades georgianas alegam que uma bomba russa atingiu uma zona muito próxima do aeroporto internacional. Moscovo nega ter atingido alvos não militares.

Crise humanitária na região

Milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as casas para fugir aos combates.

A televisão russa, controlada pelo Estado, mostrou imagens da destruição na capital da Ossétia do Sul e por várias vezes falou em “catástrofe humanitária” provocada pelos ataques da Geórgia, com mais de dois mil mortos e milhares de desalojados.

Por seu lado, uma fonte governamental georgiana disse à Reuters que os ataques russos no país provocaram 129 mortes civis e militares e mais de 700 pessoas ficaram feridas.

Ocidente preocupado com conflito regional

Os EUA, aliados da Geórgia, alertaram a Rússia para o facto de o reforço das operações militares na região poder ter um impacto “significativo e de longa duração” nas relações com o país.

Apesar do anúncio de retirada georgiana, as movimentações militares russas continuaram. Ao final do dia um barco da Geórgia com lança-mísseis foi afundado por navios russos estacionados no Mar Negro.

Imagem do mapa da Geór gia

Ainda este domingo o ministro francês dos Negócios Estrangeiros deslocou-se à Geórgia para iniciar negociações com o presidente Mikheil Saakashvili para tentar por fim ao conflito. Segue depois para Moscovo onde é também esperado durante a semana o presidente francês Nicolas Sarkozy, que assume actualmente a presidência da União Europeia.

Cronologia


  • 1991-1992
    A Ossétia do Sul combate pela separação da Geórgia, cuja independência é também recente.


  • 2004
    Mikhail Saakasvili é eleito para a Presidência da Geórgia e promete recuperar todos os territórios “perdidos”.


  • 2006
    Num referendo não oficial, os habitantes da Ossétia do Sul votam pela independência face à Geórgia.


  • Abril de 2008
    Moscovo incrementa os laços com as regiões da Abkhazia e da Ossétia do Sul.


  • Julho de 2008
    A Rússia admite ter feito passar caças sobre a Ossétia do Sul. Moscovo e Tblissi trocam acusações, responsabilizando-se mutuamente pela escalada militar.


  • 7 de Agosto de 2008
    Ao cabo de intensos confrontos entre as forças militares georgianas e rebeldes da Ossétia do Sul, os dois lados chegam a acordo para um cessar-fogo.


  • 8 de Agosto de 2008
    As forças da Geórgia voltam a envolver-se em intensos combates com os rebeldes e intensificam as operações militares na região da Ossétia do Sul, apertando o cerco a Tskhinvali.


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