Gerhard Schroeder mantém as suas declarações sobre a reforma da NATO

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, manteve hoje em Bruxelas o seu controverso discurso pronunciado no passado fim-de-semana numa conferência sobre a segurança em Munique onde criticara as lacunas da NATO e reivindicara uma reforma em profundidade.

Agência LUSA /

"Mantenho o que disse na Conferência sobre a segurança em Munique, ou melhor, o que mandei dizer por interposta pessoa", afirmou Schroeder que, ausente por causa de uma gripe, viu o seu discurso de sábado ser lido pelo Ministro da Defesa, Peter Struck.

O chanceler alemão causara sábado alguma controvérsia ao preconizar uma reforma em profundidade das estruturas da cooperação transatlântica, e ao sublinhar que a NATO "já não é o local principal onde os parceiros transatlânticos discutem e coordenam as suas estratégias".

A sua proposta de criar um painel de alto nível para reflectir a reforma destas estruturas foi acolhida com alguma frieza, nomeadamente pelo secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, e pelo secretário-geral da NATO, o holandês Jaap de Hoop Scheffer.

Contudo, o diário Sueddeutsche Zeitung (SZ) afirma que o secretário-geral da NATO partilha a opinião de Schroeder, ao desejar que a Aliança se torne um fórum mais político", embora rejeitando a ideia de um painel de peritos para a reformar.

O jornal alemão cita uma nota confidencial interna datada de segunda-feira e dirigida aos 26 ministros da Aliança.

Nela, Scheffer estima que "muitos ministros" da Defesa, reunidos quinta-feira durante um jantar de trabalho na cimeira informal de Nice, chegaram a esta constatação: "nós somos melhores a falar do que a agir, e isso deve ser corrigido".

Nessa nota, o holandês apela aos países da NATO para uma colaboração mais estreita, por exemplo com as Nações Unidas.

"A NATO deve tornar-se um fórum mais político, e deve, enquanto aliança, envolver-se nos diferentes fóruns, caso queiramos tornar mais eficaz a vontade política", indica.

Scheffer anuncia querer "formular propostas" proximamente no conselho da NATO, segundo o diário.

Uma parte da oposição e da imprensa alemã criticaram também a proposta de Schroeder, acusando o chanceler de voltar a criar atritos nas relações germano-norte-americanas, praticamente em cima da cimeira da NATO a 22 de Fevereiro em Bruxelas.

"Globalmente, não tenho qualquer razão para estar preocupado com as reacções públicas que li ou vi"", respondeu hoje à noite o chanceler, à margem de um encontro em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

"Algumas pessoas na Conferência tiveram talvez posições divergentes. Compreendo-o perfeitamente", prosseguiu Schroeder.

"Mas realmente penso que isso contribui para reforçar a NATO e as relações transatlânticas se debatermos as coisas de uma maneira mais aberta do que o fizemos no passado", defendeu.

"Tenho a firme impressão que tanto na NATO como nas relações transatlânticas existe um interesse crescente em desenvolver o diálogo transatlântico e em conseguir que repouse em fundações sólidas", indica Schroeder.

"Isso significa também que temos mais a dizer nas decisões que forem tomadas", notou.

Quando lhe perguntaram se pretendia falar disto ao presidente norte-americano George W. Bush, Schroeder respondeu secamente: "As pessoas educadas tendem a não dizer em público o que tencionam dizer ao seu convidado antes de terem tido ocasião de falar com ele e eu respeitarei esta regra".

O presidente Bush inicia domingo à noite uma visita à Europa com uma etapa de 48 horas em Bruxelas durante a qual se reunirá terça-feira com todos os seus homólogos europeus para uma dupla cimeira da NATO e da UE.


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