Gianni Infantino recua no plano de abrir a FIFA ao investimento privado

Gianni Infantino recua no plano de abrir a FIFA ao investimento privado

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, revelou hoje que desistiu do projeto de abertura da federação a investidores privados, ideia fortemente críticada, que suscitou receios de uma mercantilização do futebol num contexto de suspeitas de conflito de interesses.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Dylan Martinez - Reuters

"Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões (...), que já não servem o objetivo inicial", reconheceu num comunicado Gianni Infantino, que se encontra numa posição fragilizada após a recente demissão do seu conselheiro principal, Carlos Cordeiro.

"O nosso objetivo sempre foi, e sempre será, unir e progredir. A proposta não será, portanto, aceite", anunciou o líder da Federação Internacional de Futebol.

Apresentado na terça-feira para surpresa geral, o plano da FIFA, que visava elevar para dez mil milhões de dólares (8,67 mil milhões de euros) o financiamento do desenvolvimento do futebol nos próximos quatro anos, foi fortemente criticado tanto no conteúdo como na forma.

Infantino pretendia criar uma empresa --- a FIFA Forward Enterprise (FFE) --- aberta a investidores privados, que seria encarregada de gerir as atividades comerciais e de eventos da instância do futebol mundial.

A ideia suscitou uma onda de protestos, sobretudo por parte da poderosa UEFA, que reúne 55 federações europeias e conta nas suas fileiras sete dos últimos dez campeões do mundo.

Na quinta-feira, a UEFA ameaçou, "por unanimidade", não participar nas próximas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso a federação não abandonasse o projeto.

A CONCACAF, composta por 41 federações da América do Norte, América Central e Caraíbas, também "rejeitou a proposta" e a homóloga asiática, AFC, seguiu o mesmo caminho esta sexta-feira, considerando que o plano "não poderia alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar".

As confederações africana e da Oceânia mostraram-se menos críticas, apelando às respetivas federações-membro para que "analisassem" e "avaliassem" o projeto, enquanto a CONMEBOL sul-americana solicitou esclarecimentos, apelando a que "se colocasse sempre o futebol acima de qualquer outro interesse".

A FIFA pretendia angariar até 4,2 mil milhões de dólares através da cessão de participações da FFE a investidores privados, que, segundo a organização, teriam mantido uma participação minoritária, até 20%.

Entre os potenciais investidores, os críticos tinham identificado o fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner, uma "coincidência" que associaram à afetividade demonstrada por Gianni Infantino para com o Presidente norte-americano antes e durante o Mundial de 2026.

Se o projeto tivesse avançado, cada uma das 211 federações membros da FIFA poderia ter recebido um montante excecional de 20 milhões de dólares no início de 2027 e ver a sua dotação para o período de 2027 a 2030 passar de 8 para 20 milhões de dólares (de 6,93 para 17,3 milhões de euros).

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