Giovanni Sartori, um crítico da desinformação pelos `media`

O politólogo italiano Giovanni Sartori, hoje galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias de Ciências Sociais, é um crítico da "tendência crescente" para a existência de +media+ que desinformam e da "ditadura das audiências" na definição da informação.

Agência LUSA /

Minutos depois de receber a notícia da sua distinção com o Prémio Príncipe das Astúrias, Giovanni Sartori, cuja carreira de professor e ensaísta se centrou na análise da importância dos +media+ na formação de opiniões, declarou-se "muito satisfeito" com o reconhecimento do seu papel, que definiu como "a observação atenta da política, com toda a honestidade possível, para a fazer compreender pelos cidadãos".

Nos seus trabalhos, Sartori, de 81 anos, introduziu o conceito de "homo videns", o homem que vê televisão e, em consequência, vai perdendo a capacidade de compreender a realidade, transformada - ou deformada - pelo pequeno ecrã.

O politólogo, que passa longas temporadas nos Estados Unidos, onde já leccionou nas Universidades de Yale, Harvard e Columbia, defende que é possível fazer boa informação nas televisões - e aponta o exemplo de algumas cadeias norte-americanas - e é especialmente crítico "dos meios de comunicação que, não só não informam, como desinformam".

O problema surge, na sua opinião, quando a escolha da informação é ditada pelos estudos de audiências, que levam "a televisão a descer cada vez mais para baixo" em qualidade.

Esta situação, defende, é ainda pior em Itália, com a concentração exercida por Sílvio Berlusconi, que é proprietário de três canais generalistas privados e, como primeiro-ministro, controla os três canais da televisão estatal RAI. "Um monopólio vergonhoso", nas palavras de Giovanni Sartori.

Neste e noutros casos, o politólogo italiano defende que uma das formas de reduzir a influência dos empresários nos meios de comunicação é "a abolição dos paraísos fiscais" que lhes permitem enriquecer e, depois, tentar consolidar a sua influência com a aquisição de meios de comunicação social.

O Prémio Príncipe das Astúrias de Ciências Sociais 2005 foi atribuído hoje a Giovanni Sartori, segundo o júri, em reconhecimento da sua teoria sobre a democracia, desenvolvida sempre a partir "do seu compromisso para com as garantias e as liberdades da sociedade aberta".

O júri, presidido pelo político conservador espanhol Manuel Fraga, destacou também o "grande contributo" de Sartori para o debate contemporâneo da ciência política e o "extraordinário prestígio" de que goza o seu pensamento na opinião pública internacional.

"Sartori reflectiu e alertou com particular argúcia para os problemas sociais e institucionais do nosso tempo e para o necessário equilíbrio entre os diversos poderes nas sociedades democráticas", considerou o júri, no comunicado em que anunciou a atribuição do prémio.

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