"Golpes de Estado não têm mais lugar em África" - embaixador de Angola

Bissau, 13 Ago (Lusa) - Os "golpes de Estado não têm mais lugar em África", sustentou hoje o embaixador de Angola na Guiné-Bissau, António Brito Sozinho, ao condenar a intentona alegadamente perpetrada pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada guineense.

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Em declarações aos jornalistas a saída de uma audiência com o procurador-geral da República guineense, o diplomata angolano aproveitou a ocasião para sublinhar o posicionamento do seu governo sobre a alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida na semana passada, na Guiné-Bissau.

Naquilo que diz ser uma primeira análise à situação, o diplomata afirma que Angola acredita que a situação por que passa a Guiné-Bissau é um "momento transitório" mas defendeu a necessidade de "os ânimos serem resfriados".

"Os filhos da Guiné precisam entender-se. Sentarem-se à mesma mesa e dizerem o que é que não vai bem", defendeu Brito Sozinho.

"Temos vindo a seguir a situação. À primeira vista, pode-se dizer que é má. Este país não precisa de indivíduos que queiram fazer golpes de Estado. Precisa de filhos da Guiné, da própria Guiné, que contribuam para o desenvolvimento do país", defendeu Brito Sozinho.

"Hoje em dia, já não se pode falar em golpe de Estado, sobretudo em África", continente que, disse, deve preocupar-se sim com o seu desenvolvimento.

A Guiné-Bissau "tem potencialidades", comentou Brito Sozinho.

Angola é um dos potenciais parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Na semana passada, o governo de Luanda entregou à representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Bissau 700 mil dólares para o apoio ao processo de organização das eleições legislativas de 16 de Novembro.

Na audiência de hoje com o procurador-geral da República guineense, o embaixador angolano prometeu desenvolver esforços no sentido de magistrados e agentes dos serviços de segurança e da ordem pública receberem formação em Angola.

Os elementos do actual corpo da Policia de Intervenção Rápida (PIR) guineense, localmente designados por "Ninjas", receberam formação em Angola.

Luanda também tem interesses no sector das minas do bauxite e petróleo da Guiné-Bissau, em que conta investir importantes recursos financeiros.


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