Gomes Cravinho: "Deve haver consciência na Europa que é o nosso futuro que está em causa"

Gomes Cravinho: "Deve haver consciência na Europa que é o nosso futuro que está em causa"

Antigo ministro português dos Negócios Estrangeiros avisa que Putin já sofreu uma derrota, mas a Ucrânia ainda não venceu a guerra. Para Gomes Cravinho, a Europa tem de ter um "papel fundamental" nas negociações do acordo de paz.

Guilherme de Sousa e Eduarda Maio - Antena 1 /
Foto: António Mateus - RTP

O antigo ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, afirma que, ao fim de quatro anos de guerra, Putin não conseguiu atingir os seus objetivos, mas alerta que não se pode já numa vitória ucraniana. “Aquilo que Putin fez foi um desafio à ordem da segurança da Europa”, sublinha Gomes Cravinho, em entrevista no “Ponto Central” da Antena 1. 

O ex-chefe da diplomacia portuguesa avisa que, face aos desafios que o bloco comunitário enfrenta de Washington a Moscovo, “é fundamental haver consciência na Europa de que é o nosso futuro, enquanto União Europeia, que está em causa”. 

Para João Gomes Cravinho, é essencial “ter em conta” a forma como esta guerra pode acabar. “Não se trata apenas fazer calar as armas, trata-se de fazer calar armas de uma maneira que não mine a estabilidade e a segurança da Europa no futuro”, sublinhando que “é o nosso futuro que está em causa também na mesa das negociações”. 

“Seria fundamental a Europa ter uma palavra a dizer na mesa das negociações. Para ter essa palavra, temos de ter também uma palavra a dizer “no decorrer da batalha, ou seja, temos de ter influência na nossa capacidade de apoio à Ucrânia para fazer a diferença”, acrescenta. 

Quanto ao possível cessar-fogo, que tarda em surgir no âmbito das negociações desencadeadas por Washington, Gomes Cravinho defende que “no dia em que houver um acordo de paz “a Rússia não deixará de ser a Rússia, a Rússia continuará a ter o impulso imperialista”. 

“Se não houver um mecanismo eficaz, impedir que daqui a um ano, a dez ou a 15, a Rússia volta a procurar a expandir para o Ocidente, então pouco valerá fazer cedências em matéria de território. Essa é a questão central, é a solidez das garantias”, conclui.
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